Ética e Pensamento Crítico

 

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Entrada do Porto de Aveiro e Barra

Vivemos tempos complexos. São muito notórias as dificuldades que enfrentamos: económicas, sociais / relacionais, comunicacionais, …

O actual panorama político-partidário e desportivo português tem sido prolixo em evidenciar esta realidade! Sem particularizar ou exemplificar sinto que, profissionalmente, devo destacar:

– a ausência, muitas vezes assustadora, do uso de capacidades de pensamento crítico, como a não identificação e reacção a falácias, como o “ataque pessoal” ou o “apelo à autoridade”;

– os valores e/ou atitudes  revelados e assumidos por agentes daqueles contextos não me parecem cumprir os requisitos inerentes à ética de uma sociedade democrática, como a que está estipulada na constituição Portuguesa (esta afirmação dará uma boa discussão!);

Quem, como eu, se preocupa em formar e educar tem, actualmente, um desafio difícil e, talvez como nunca, desgastante! Não será tempo de nos comprometermos a melhorar e apresentar propostas e soluções para esta realidade?

O diagnóstico está globalmente feito e os problemas, quase todos, identificados, alguns deles neste blog. Por isso, pretendo continuar a contribuir para a melhoria das dificuldades e problemas referidos. No caso da “Educação” é nisso que me concentrarei também neste blog e nos próximos artigos.

Para tal conto também com uma participação mais assumida (confirmo e agradeço a recepção dos e-mails a comentar alguns destes artigos). Por que será difícil assumirmos publicamente aquilo em que acreditamos (uma das essências do pensamento crítico)?

Ranking das Escolas

Esta semana foi divulgado o Ranking das Escolas que foi realizado com base nos resultados dos exames nacionais do ensino básico e secundário Português.

Mais do que interpretações e inferências que os dados (mais que resultados) não permitem gostaria que, ainda que de forma breve, incluir algumas informações factuais e outras tantas questões, para eventual discussão neste contexto ou em outros.

 

Alguns dados que destaco:

  • Nove escolas privadas e apenas uma pública  ocupam a lista das melhores médias nos exames de Matemática do 12º ano;
  • Neste nível de ensino os resultados pioraram, dado que as escolas com média negativa passou de 23,6% para 31,7%;
  • As raparigas obtiveram melhores resultados que os rapazes;
  • As escolas das regiões dos Açores e Madeira ocupam os últimos lugares;
  • No ensino básico tiveram média negativa a Matemática 73% das escolas;
  • As diferenças entre as classificações obtidas em escolas dos distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Évora, Portalegre ou Beja são inferiores às das escolas de Lisboa, Porto e Coimbra, que são os distritos com as melhores médias globais do país; isto é o litoral do país apresenta melhores resultados que o interior.

Questões para pensar:

– A que se devem os melhores resultados das escolas privadas? E das escolas do litoral? E as das regiões autónomas?

– Os melhores resultados, como tem sido apontado na comunicação social, das privadas deve-se só ao facto de “seleccionarem os melhores alunos” (se é que o fazem mesmo e todas)? 

– Porque têm piorado os resultados nos últimos anos, nomeadamente a Matemática? 

– Serão os principais factores “A instabilidade nas escolas, a reforma antecipada dos professores com mais experiência, a avaliação do desempenho dos docentes, a burocracia em que se encontram mergulhados e a falta de expectativas dos alunos”?

 

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Praia da Barra, Aveiro em finais de Agosto de 2010

Visão “Crítica”

Frei Fernando Ventura apresentou ontem uma visão “crítica” da sociedade Portuguesa actual; esta passou na SIC Notícias e que pode ser vista em:

http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Edicao+da+Noite/2010/10/frei-fernando-ventura-sobre-a-situacao-do-pais02-10-2010-01611.htm

Afirmações (algumas proferidas em momentos diferentes da análise político-social) que destaco:

  • Atacam-se os novos desafios com soluções velhas!
  • Novas oportunidades de coisa nenhuma. É possível entrar na Universidade sem saber ler e escrever.
  • Temos uma barraca com um submarino à porta.
  • É tempo de mudar as estruturas podres que nos conduziram até aqui.
  • Estamos a criar gerações sem memória! Crescemos colectivamente sem memória.
  • A história dos novos e a memória dos velhos não se encontra.
  • Nós Portugueses somos os limpadores no mundo. Continuamos a limpar o lixo da Europa e da América do Norte.
  • Continuamos atavicamente e estupidamente a pensar em critérios políticos de direita e de esquerda! Isso já não existe.

Concorda com esta visão? Porquê?

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Pontes, Aveiro, Anos 20