Contributo Relevante

Venho neste post divulgar uma das mais interessantes iniciativas educacionais que está em desenvolvimento actualmente em Portugal. Trata-se da reestruturação curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste que a Universidade de Aveiro está a levar a cabo, com muitos colegas do Departamento de Educação envolvidos. São particularmente os programas curriculares do 10º, 11º, e 12º anos do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste que estão a ser desenvolvidos por uma equipa coordenada pela antiga Vice-Reitora da Universidade de Aveiro e actualmente Professora Catedrática –  Isabel P. Martins.

Saliento que a componente geral, comum a todos os alunos, é constituída por quatro disciplinas: Português, Inglês, Tecnologias Multimédia, e Cidadania e Desenvolvimento Social. As componentes específicas integram, cada uma delas, cinco disciplinas; a saber: Física, Química, Biologia, Geologia e Matemática para via das Ciências e Tecnologias; Geografia, História, Sociologia, Temas de Literatura e Cultura, e Economia e Métodos Quantitativos para a via das Ciências Sociais e Humanidades.

Estas e outras informações poderão ser encontradas em: http://uaonline.ua.pt/detail.asp?c=19663&lg=pt

Será com muito interesse que vou analisar, quando estiverem prontos e disponíveis, os programas, especialmente de algumas disciplinas, bem como os manuais escolares e guias para os professores que as mesmas equipas estão a desenvolver. Quem sabe se não teremos aqui bons exemplos para o nosso próprio país!

Interior de uma escola em Timor Leste (foto de http://www.app.pt/nte/tema/timor/artigo.htm)

Mudança?

A manifestação não partidária em Lisboa, Porto e outras cidades Portuguesas de ontem foi, do meu ponto de vista, o início da mudança cívica que parece ser ansiada por muitos. Se esta geração “à rasca” mais jovem teve o mérito de iniciar este movimento a verdade é que participaram nesta manifestação todas as gerações descontentes com a situação actual. A realidade que se vive é complexa e não é exclusivamente nacional, mas ressalta-se:

  • a precariedade de emprego dos jovens é hoje inaceitável! Por exemplo, os diplomados precários mais que duplicaram na 1ª década do século XXI.
  • que a taxa de desemprego jovem (13,2%) é mais do dobro do que era em 1999 (6,2).
  • que existe uma emigração cada vez mais qualificada e mesmo feminina.

Todavia, continuamos a assitir:

  • a ordenados de gestores de empresas públicas inaceitáveis;
  • a uma geração que não se quer privar dos seus direitos e a outra que quer aceder aos mesmos;
  • a uma sobrecarga do esforço de uma parte da sociedade Portuguesa (funcionalismo público).

Será que a aposta na educação e o uso do pensamento crítico começaram a mostrar as primeiras manifestações?

A canção dos Deolinda foi mais um “grito” (http://www.youtube.com/watch?v=_rgOFS7UZ2I):
“Sou da geração sem remuneração
E não incomoda esta condição
Que parva que sou.
Porque isto está mal e vai continuar;
Já uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que sou.
E fico a pensar…”

Como ontem se ouviram outros (vozes e cartazes que mais pareciam Portugal de 1974):
“Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!”

Um bom exemplo de moralização e movimento cívico colectivo e sem “revoluções” vem da Islândia (ler por exemplo: http://economico.sapo.pt/forumbolsa/index.php/topic,30030.0.html). Estamos mesmo perante uma mudança no modo de pensar e agir na sociedade Portuguesa?

Vamos ver o que acontece nos próximos dias e assistir ao que os fazedores de opinião (da geração com todos os direitos) vão veicular destes acontecimentos!