Ciências e Educadores

Acaba de ser divulgada na net (ver em: http://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/6338/3/ActasENEC.pdf) o texto de uma comunicação, apresentada no último ENEC que se realizou em Braga, de título:

Concepção de Trabalho Experimental de educadores de infância e as suas 
práticas didáctico-pedagógicas

Este é uma parte do Doutoramento da docente do Instituto Politécnico de Bragança Maria José Rodrigues que tive o gosto de orientar.

Boas leituras!

Julho de 2011, Tavira

Competências?

A recente tradução (2010), para Português do Brasil, do livro de Antoni Zabala e Laia Arnau, com o título “Como aprender e ensinar competências”,  da Artmed, Porto Alegre é uma obra que aconselho. Tem havido muita confusão sobre este conceito e os autores fazem um ponto de situação bem sistematizado sobre este conceito e suas implicações, incluindo mesmo críticas e deturpações.

Penso que o índice dá uma boa noção da globalidade da obra e por isso reproduzo aqui os capítulos iniciais:

1. O termo competência surge como resposta às limitações do ensino tradicional

2. A atuação eficiente das competências em um determinado contexto

3. A competência envolve sempre conhecimentos inter-relacionados a habilidades e atitudes

4. O objetivo da educação por competência é o pleno desenvolvimento da pessoa

5. As competências escolares devem abarcar o âmbito social, interpessoal, pessoal e profissional

6. A aprendizagem das competências é sempre funcional

7. Ensinar competências significa partir de situações e problemas reais

Aos professores pergunto: Ensinam competências nas vossas práticas?

Farol da Barra, Novembro de 2011

Costa Marítima

Escrevi uma crónica sobre a forma como as dunas (no caso da Praia da Barra) estavam a ser usadas por veraneantes e destruídas em pleno verão. Não antevia, na altura que este ato em conjugação com um conjunto de outros fatores colocaram  o areal e, desde já, alguns dos bares em risco. Em, cima estão as fotos (nas 3 primeiras) de um desses bares em finais de Outubro; as outras mostram os mesmos já com blocos de rochas, obtidas em 12 de Novembro.

Não será altura de tomar novas medidas também de proteção das Dunas?

Segue a dita crónica (nº 2 de Setembro de 2011 do SiMagazine):

Escrevo esta crónica em férias. Tento descansar na praia da Barra. Mas o que tenho assistido neste contexto, por estes dias de calor, tem evidenciado a necessidade de uma reflexão sobre o papel que a educação pode e deve ter para a mudança cívica que urge em muitas situações do dia-a-dia do nosso país.
A título ilustrativo, saliento o comportamento dos condutores, particularmente no que se refere aos estacionamentos, e o modo como os veraneantes têm usufruído da referida praia. No primeiro caso tem sido de destacar o estacionamento em cima dos passeios, incluindo sobre a ciclovia construída, em frente às saídas de garagem e na desordem reinante nas zonas térreas que existem nas proximidades, algumas em entradas do areal. No segundo caso friso o uso indevido da zona dunar por muitas pessoas.
Pode-se argumentar que os estacionamentos não são suficientes para todos e que a “crise” obriga a que muitas pessoas se deslocam no seu veículo para a praia todos os dias a partir da sua residência, o que tem aumentado muito o tráfico nesta zona. Todavia um passeio de bicicleta permite verificar que havendo estacionamentos em ruas mais periféricas, algumas a cerca de 200/300 m da principal Avenida – João Corte Real, já esta está com pejada de veículos nos passeios. Então porque preferem alguns automobilistas estacionar em passeios impedindo as pessoas de os usarem, (sendo dramático quando falamos de deficientes) e estacionar em frente a garagens privadas impossibilitando os seus proprietários de poderem simplesmente sair com o seu veículo (e se acontece uma emergência!), …?
No caso das dunas, que foram protegidas ao longo dos últimos anos com passadiços de madeira e proteções que impediam o acesso e permitiram que a vegetação protetora e que “sustenta” as maioria das dunas se desenvolvesse, a situação de “assalto” e destruição pode ter repercussões ambientais e sociais que não podem ser desprezadas. É certo que parte considerável das proteções e mesmo parte do passadiço ficou coberta com areia e que a informação desapareceu (só identifiquei um placard na entrada do 7º ano de praia a informar sobre a construção de um novo passadiço). Mas tal justifica que as pessoas usem as dunas para colocarem toalhas, chapéus de sol e para-vento e mesmo tendas, muitas vezes em cima da vegetação que as protegia e que muitas crianças e jovens (e mesmo alguns adultos) que as usem as como local de diversão para saltos e “escorrega” com pranchas?
Perante situações como as aqui mencionadas, questiono-me sobre o papel que a Educação desempenhou e desempenha na formação dos cidadãos. Dos valores consagrados na constituição da República Portuguesa e na Lei de Bases do Sistema Educativo, como a justiça, igualdade, solidariedade, estão a ser mobilizados pelas pessoas na ação quotidiana? E o que dizer da formação para uma cidadania ativa, esclarecida e racional preconizada no currículo Português e contemplada em áreas curriculares e não-curriculares, como é o caso da Formação Cívica?
A escola, no seu todo, tem de passar a ter explicitamente uma educação que sustente valores de bem comum e ação racional a favor da sustentabilidade do planeta em detrimento do egoísmo, do comodismo e do desrespeito por outrem. Importa, pois, intervir a nível das práticas rentabilizando os bons exemplos e integrando contributos da investigação em educação. Da nossa parte vamos continuar a formar professores e a desenvolver investigação onde os valores e os níveis de racionalidade moral sejam incrementados em prol de um bem mais coletivo.
Aveiro, 12 de Agosto de 2011
Rui Marques Vieira

Petição

Esta é uma situação que considero excecional e por isso incluo aqui a petição que já assinei e que considero da máxima pertinência no contexto de uma intervenção crítica que se defende também nesta carta aberta (no original em Inglês):

Dear colleagues,
With this message we would like to invite you to sign an Open Letter addressed to the European Commissioner for Research and Innovation (http://www.eash.eu/openletter2011/). The letter alerts the Commission to the vital insights that Socio-economic Sciences and Humanities (SSH) contribute to addressing Europe’s and the world’s Grand Societal Challenges, and suggests that a substantial and independent SSH-centered research programme should be included into the next and into all future European Framework Programmes.
Kindly also circulate this invitation to sign across your respective subject associations.
In view of legislative decisions to be taken on the next 100-Billion-worth EU Framework Programme Horizon 2020 (2014-2020), the letter stresses the necessity for a varied and strong research programme in the Socio-economic Sciences and Humanities (SSH): it argues that neglecting such potential contributions as SSH research has to make risks undermining the EU strategy to develop innovative, inclusive and sustainable societies. Yet, there still is a distinct danger of insufficient funding in Horizon 2020 for research areas such as cultural change, demography, education, the economy and globalisation, identity politics and social cohesion, and many others. For background information on these matters see: http://www.eash.eu/openletter2011/
The Open Letter initiative has grown out of deliberations among a number of European umbrella organisations in the area of SSH, and seeks to bring to the attention of the European Commission and national governments the concerns of the largest research community in Europe.
First results of this initiative will be presented at a meeting with the Commissioner Geoghegan-Quinn on 10 November 2011. We hope to be able to point to a high number of signatures as an expression of a groundswell of support and concern among SSH communities. The collection of signatures will, however, continue after this specific date, as the legislative decision process will last for longer.
Thank you in advance for signing and for supporting this initiative – and our apologies for any cross-posting. Do not hesitate to contact us if you have any questions: SSH-letter@net4society.eu.
On behalf of the Inter-agency Task Group on SSH in Europe (ALLEA; Net4Society; European Science Foundation; ECHIC)
Dr Ruediger Klein
Executive Director
European Federation of National Academies
of Sciences and Humanities (ALLEA)
P.O.Box 19121, 1000GC Amsterdam
c/o KNAW, Kloveniersburgwal 29, 1011JV Amsterdam
The Netherlands
Tel.: +31-20-5510-722 (secretariat: -754)
ruediger.klein@allea.org

Leituras sobre PC

Acaba de ser publicada uma nova revista do Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales e que é dedicada ao Pensamento Crítico. Pode-se aceder ao documento em:

http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/osal/osal30/osal30.pdf#page=10

Aproveito também para divulgar as Atas do V Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências do Brasil que está em: http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/venpec/conteudo/

Neste, destaco até pela referência às duas temáticas deste Blog CTS/PC o artigo:

“Enfoque cts: repercussões de uma prática pedagógica transformadora” (p. 436 das Atas).

Por fim, destaco o artigo, do último número da Revista Brasileira Educação e Pesquisa:

O portefólio na formação e avaliação profissional de professores”

que está em:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022011000300006&script=sci_arttext

Boas leituras.

7 Competências

Tony Wagner, consultor e especialista em educação e membro do Centro de Tecnologia de Harvard, tem percorrido vários países a divulgar as 7 competências para sobreviver no mundo atual e que a maioria das escolas não possui nem ensina.

Farol da Barra, Outubro de 2011

Resumo aqui a lista das que são imprescindíveis para se “ser inovador e ter um lugar no mercado de trabalho” (que pode ler em Inglês em http://www.tonywagner.com/7-survival-skills):

 1. Pensamento crítico e a capacidade para resolver problemas.

2. Espírito colaborativo e liderança por influência (em vez de por autoridade).

3. Capacidade de adaptação e rapidez para consegui-lo.

4. Iniciativa e espírito empreendedor. 

5. Domínio da comunicação oral e escrita.

6. Capacidade para aceder e processar toda a información disponível.

7. Curiosidade e imaginação.

Este investigador considera que as práticas dos Professores precisam de ser inovadoras para que os alunos sejam também inovadores e passem a criar em vez de simplemente consumir. Considera que este é um dos segredos do sistema Finlandês, que apostou nos últimos 40 anos a redesenhar a seleção e formação dos professores. Estes passaram a ter um enorme prestígio e respeito, derivado do facto de serem escolhidos entre os melhores do seu Ensino Secundário e terem um modelo que promove o trabalho colaborativo focado explicitamente no pensamento crítico.