Educação Para a Cidadania

Sou um defensor de uma Educação Para a Cidadania de qualidade nas escolas e em todos os níveis de ensino, desde a Educação Pré-escolar. Sou, pois, contra a sua exclusão, como Área Curricular Não Disciplinar, especialmente em um contexto social e económico como o que se vive atualmente em Portugal!

Desconheço se existe alguma estudo nacional de avaliação do impacte desta formação, desde a criação destas áreas, decorrente da publicação do Decreto-Lei nº 6/20o1. Uma decisão política desta natureza deveria ser enquadrado por estudos, pareceres e recomendações. Por isso, neste último caso sugiro a leitura e discussão da “Recomendação sobre Educação para a Cidadania” do Conselho Nacional de Educação e que pode ser consultada em:

http://www.cnedu.pt/images/stories/2011/PDF/Rec_Ed_Cidadania.pdf

Concorda com esta recomendação? O que pensa sobre a existência de uma  “nova disciplina de Formação Cívica (cf. Decreto -Lei n.º 50/2011 de 8 de abril) […] no ensino secundário, em adequada articulação com os processos que visam os melhores níveis de sucesso académico dos alunos. No ensino básico, deve ser revalorizada a educação para a cidadania democrática no âmbito da Formação Cívica, resgatando-a do enclausuramento excessivo relativo à gestão quotidiana dos problemas que decorrem das funções da direção de turma”?

Deveria existir a Formação Cívica? Com que abordagem e programa? …

Pensar em Números

No contexto social e como educadores e investigadores não podemos deixar de pensar nos números da realidade atual que podem comprometer o nosso futuro coletivo:

  • Mais de um em cada três jovens portugueses está sem emprego;
  • Um em cada três desempregados procura emprego há mais de dois anos;
  • O número médio de filhos tem vindo a descer desde a década de 60 e está atualmente em um filho por casal;
  • Em 1990 havia 12% de crianças em Creches; hoje são 40%!
  • 16% das mulheres portuguesas trabalham (a média Europeia é o dobro).

Comentários? O que podemos fazer com esta realidade? …

“As crianças sabem muito”

Este título é da crónica de hoje do Professor Daniel Sampaio no Jornal Público.

Da mesma destaco aqui algumas ideias que partilho, sendo algumas delas já aqui defendidas:

  • “Com frequência se ouve dizer que as crianças e adolescentes nada sabem, que só querem brincar ou perturbar a sala de aula.”
  • “Os professores esforçam-se cada vez mais, ensaiam novas “estratégias”, mas a burocracia ministerial e a indisciplina crescente deixam-nos exaustos.”
  • “Em vez de se cuidar da relação com os alunos, acolher a sua diversidade e enaltecer a singularidade de cada um, optou-se por um modelo massificado, em que se ensina para o aluno “médio”, esquecendo que os ritmos de aprendizagem são diferentes e a heterogeneidade é a regra da sala de aula.”
  • “… os alunos sabem muitas coisas e têm bastante curiosidade para saberem muito mais. As crianças, quando ingressam na escola (seis anos), já adquiriram todas as aptidões características do ser humano…”
  • “O problema é que entidades responsáveis promoveram uma escola sem rumo, sem projecto e sem identidade.”
  • “A grande mudança a fazer não pode estar apenas no reforço das “disciplinas estruturantes”(?), mas tem de centrar-se numa relação de autoridade firme e respeito recíproco entre professor e aluno, a base segura para a construção da aprendizagem.”

(In)sucesso

As causas do insucesso escolar têm sido investigadas  e identificadas. Aqui destaco alguns dos fatores que a literatura da investigação em educação e as análise de casos de sucesso, como o da Finlândia, tem identificado:

– Envolvimento parental responsável no percurso escolar do seu educando;

– Coerência entre os currículos, as práticas dos professores, os manuais escolares e a avaliação;

– Professores com formação exigente, autoridade na sua ação e esta ser valorizada social e economicamente;

– Equipas responsáveis por acompanhar e recuperar alunos com dificuldades de aprendizagem.

Muito há a dizer sobre cada uma destes. Mas mexer em alguns deles isoladamente e não ter uma visão sistémica só tem provocado os problemas que o sistema educativo português evidencia e que está longe de ser de sucesso, pese embora algumas boas práticas e bons alunos que vão mostrando que é possível fazer melhor e ter bons resultados!

Farol da Barra visto do Molhe sul