Rio+20

Está a decorrer até 22 de junho no Brasil a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (ver site em Inglês: http://www.uncsd2012.org/) . É um acontecimento crucial para o futuro do planeta e das políticas que possam ser adotadas nos próximos anos. Várias organizações participam nesta conferência, tais como:

  • A coordenação internacional desta Cimeira Rio+20 (Brasil, África do Sul, Bolívia, Canadá, França);
  • A fundação Charles Léopold Mayer para o Progresso Humano; e
  • O coletivo francês Rio+20 (CRID, CFDT, Attac, Comité 21, FNGM, les Petits Débrouillards, RAC).

Pode ser acompanhada em vários sites em Língua Portuguesa como:

– Portal do Governo do Brasil (http://www.rio20.gov.br/)

– Página da ONU (http://www.onu.org.br/tema/rio20/ ou http://www.rio20.info/2012/)

– Portal de um dos organizadores (http://rio20.net/pt-br/)

Esperemos que as negociações finais tragam os consensos necessários dos 193 países presentes e sejam otimistas, como a do Ex-Presidente do Brasil – Fernando Henrique Cardoso que hoje surge na comunicação social (ver notícia aqui).

“Economia é cultura”

Em um debate designado “Economia é Cultura” que foi publicado no jornal Público, já com dois artigos – “A economia somos nós” (6 de junho, p. 47) e “Multinacionalizar a economia” (9 de junho, p. 55), João Caraça , Sandro Mendonça e Gustavo Cardoso, respetivamente, um Físico, um Economista e um Sociólogo têm vindo a apresentar um conjunto de ideias que valerá a pena divulgar e debater.

Entre estas saliento:

  • • “O capitalismo já teve muitas fases, e essas formas anteriores foram rejeitadas”.
  • • “Basta de conformismo intelectual. É altura de reconhecer os verdadeiros problemas e conceber novas soluções estruturais.[…] Não chega mudar, é preciso mudar para melhor”.
  • • “É tempo de pararmos de lhe chamar “crise”, temos de trabalhar sob o princípio da “transição”.
  • • “Daí que, talvez,  única forma de obter respostas seja a de devolver a economia a todos nós e começar a fazer perguntas”, como a “6. Os euros estão a ser devolvidos à Europas, e dentro desta rumam á Alemanha. O euro é ainda um activo de referencia, ou apenas uma moeda europeia ou alemã?”
  • • “Esquecemos que o dinheiro não é mais do que uma convenção, um artefacto comunicacional criado para facilitar as trocas e as transações.”
  • • “E se o desafio é repensar o que é o valor, então é necessário também equacionar se vale a pena manter o atual sistema, sob pena de sermos empurrados pelos poderosos do momento para uma situação de incivilidade e de erosão dos nossos direitos.”

Questões e Inquietações III

A publicação recente de legislação na área da educação, como o novo estatuto do aluno e a organização das escolas para o próximo ano letivo, têm provocado muitas questões e inquietações, como as que destaco a seguir:

– Se é importante dar autoridade ao professor (como já aqui defendi anteriormente) e deixar clara a responsabilidade e implicações da indisciplina, não seria também de ter aproveitado este novo estatuto do aluno para valorizar o mérito e o cumprimento das normas e regulamentos por toda a comunidade educativa?

– A tomada de decisão sobre as agregações de órgãos de gestão (vulgo mega-agrupamentos) e o aumento do número de alunos por turma é suportada por evidências da investigação em educação? Se sim, quais os estudos nomeadamente realizados no nosso (ou próximo) contexto social e cultural?

– Qual o significado dado a “ensino experimental” nestes documentos legislativos?

– Como é que este, tal como é entendido pela investigação em educação em Ciências, é compatível com turmas de 26 a 30 alunos e com as atuais condições, particularmente materiais, das escolas portuguesas?

– Onde e como serão integrados os outros elementos fundamentais para o sucesso educativo dos alunos: formação (inicial, pós-graduada, e continuada) de professores, recursos educativos de qualidade, como manuais escolares, necessidade de novos programas (os de Ciências do 1º e 2º CEB têm mais de 20 anos) em algumas áreas e disciplinas e a avaliação das aprendizagens dos alunos?

– Já agora, o que se entende por “formação científica” dos professores? Esta serve para legitimar a docência em qualquer área e nível de ensino?

A minha inquietação, dado o nosso historial cultural, prende-se com a vivência da “autonomia” que agora é dada às escolas para tomarem decisões. Vai ser necessária muita democracia participativa para se tomarem decisões racionais e sensatas sobre, entre outras, a duração das aulas, a distribuição das horas máximas das áreas por cada disciplina, particularmente no 2º e 3º CEB, e a gestão do crédito horário das escolas.

O “ambiente/clima” que parece apoderar-se da sociedade portuguesa e também das escolas e dos professores não parece ser propício a uma educação de qualidade e para todos sem exceções! Mas, vamos esperar pelo próximo ano letivo.

Arte nova em Aveiro, junho de 2012