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Reptos

Depois das férias e com o início de mais um ano letivo foi-me solicitado um artigo breve sobre a educação para o Diário de Aveiro. O tempo foi escasso e por isso retomei algumas das ideias que tenho vindo a defender para a Educação, nomeadamente em Portugal.

O mesmo foi publicado no dia 15 de setembro e também no site da Universidade de Aveiro (em: http://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?c=47628&lg=pt). Agradeço todos os comentários e partilhas, especialmente no Facebook (https://www.facebook.com/ruimv).

Mas desejo muito que o futuro comece já a ser pensado, discutido e preparado. Por isso sou dos que pensam que tal é possível com um pacto educativo.

Competências do Século XXI

Em um blog também focado no Pensamento Crítico venho desta vez salientar a importância deste tipo de pensamento e de outros como a Criatividade, como competências fundamentais para uma cidadania plena no século XXI.

Este facto tem sido destacado em diversos contextos, especialmente por empresas e organizações. São exemplos destas os vários sites que proliferam na rede web como os seguintes:

Captura de ecrã 2016-02-02, às 16.35.00

 

Eleições e Educação

Vamos ter em Portugal eleições legislativas no próximo dia 4 de outubro de 2015. Importa votar em consciência e fundamentadamente em Democracias como a nossa.

Para tal e da nossa atividade profissional, no contexto deste blog temos vindo a centrar a atenção nas propostas de educação dos vários partidos. Também por isso um conjunto de docentes do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro, entre os quais me encontro, realizou no passado dia 24 de setembro uma tertúlia com os 4 partidos envolvendo os representantes indicados pelos partidos com representação parlamentar. Uma breve síntese com fotos pode ser lida em: http://tertuliapensareduca.blogspot.pt/ .

Além desta tem havido um esforço para sintetizar as principais propostas que os partidos apresentam para os próximos 4 anos. Entre estes destaco as que incluem ou se centram na educação:

De toda esta relevo as propostas e questões que devem ser ponderadas na área da Educação para os 4 próximos anos (idealmente para mais que uma legislatura e que resulte de um pacto em torno da Lei de Bases do Sistema Educativo):

• Em contexto de crise económica e financeira qual o papel que se atribui à educação em Portugal e qual o valor do PIB a atribuir. Para atingir que metas e níveis?

• Em que idade começa  uma educação pré-escolar de qualidade para todos? 2,3, 4 ou 5 anos? Com que orientações?

• Que estatuto para a escola pública e para a escola privada? Com que financiamentos? …

• Que educação queremos? Como combater a indisciplina? E como garantir a inclusão?

• Que currículo nacional e local para o Ensino Básico e para o Ensino Secundário? Com que metas e respetiva avaliação?

• Que gestão para as escolas? Com que dinâmica (disciplinas/ áreas ou temáticas transversais, número de alunos por turma, em que salas e com que recursos e escolas,…)?

• Papel da autonomia e descentralização da educação: Como? Com quem?…

• Percursos no Ensino Básico e Secundário e com que objetivos.

• Investigação Científica e aposta no Ensino Superior: Com que investimento(s) e recursos? Para quê?

• Que formação de professores? Com que alunos? E com que competências? Com provas de acesso específicas e de avaliação de capacidades? Porquê?

INSISTO QUE PRECISAMOS DE CONTINUAR A  DISCUTIR ESTAS QUESTÕES E A FUNDAMENTAR, COM O CONHECIMENTO QUE TEM SIDO PRODUZIDO NA INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO, AS OPÇÕES A TOMAR PARA O NOSSO FUTURO COLETIVO!

Valor da Educação

O Conselho Nacional de Educação (http://www.cnedu.pt) depois da discussão e publicação da sua “Recomendação sobre Retenção Escolar no Ensino Básico e Secundário” e do seu impacto económico e ausência de melhorias na aprendizagem dos que repetem o mesmo ano, vem agora agora revelar  o valor de um curso superior.

Tal como está, por exemplo, no Jornal Público  de hoje 18 de abril de 2015 (http://www.publico.pt/):

  • “Um aluno com um curso superior ganha mais 1,7 milhões de euros, durante a sua vida profissional, do que alguém com apenas o 9.º ano”.
  • “David Justino sublinhou a importância da formação dos jovens e lembrou que desistir de estudar antes do tempo significa “piores condições de trabalho e piores remunerações””.
Museu da Escravatura, Luanda, Dezembro de 2014
Museu da Escravatura, Luanda, Dezembro de 2014

 

Fábrica de Alunos

Um dos temas que o Jornal público tem no seu site é dedicado a: “Quando a escola deixar de ser uma fábrica de alunos” e que está em

http://www.publico.pt/temas/jornal/quando-a-escola-deixar-de-ser-uma-fabrica-de-alunos-27008265

Trata-se de um artigo que merece reflexão e trago aqui algumas passagens que, do meu ponto de vista, não são isentas de controvérsia:

“A pedagogia tradicional da escola uniformizada está na base da criação da escola de massas a partir do século XIX e não sofreu alterações radicais desde então.”

“Há muito tempo que a escola se concentra em ensinar aos alunos as competências básicas da matemática, da escrita e da leitura. Agora, estas aprendizagens básicas já não são suficientes. “

“Wagner defende que a escola deve desenvolver sete “competências de sobrevivência” necessárias para que as crianças possam enfrentar os desafios futuros: pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, colaboração, agilidade e adaptabilidade, iniciativa e empreendedorismo, boa comunicação oral e escrita, capacidade de aceder à informação e analisá-la e, por fim, curiosidade e imaginação.”

“As novas tecnologias possibilitam que as inovações pedagógicas se desenvolvam de maneira massificada.”

“Cada escola goza de grande liberdade para desenhar os seus próprios currículos. No sistema educativo finlandês, os jovens têm muito poucos trabalhos de casa e são submetidos a poucos testes e exames.”

“A formação dos professores tem de sofrer alterações para se aproximar mais da formação dos médicos, por exemplo: “A aprendizagem das profissões que envolvem interacções com outras pessoas deve fazer-se mais pela integração num grupo, pelo acompanhamento, pelo exemplo e pela discussão e análise das situações.” Ou seja, os futuros professores deveriam aprender através de casos concretos: assistindo a aulas reais, por exemplo, e não recebendo aulas sobre como se ensina.”

O que pensa do artigo? E das afirmações acima (no contexto do artigo)? …

 

Inaceitável

Dois relatórios apresentados na última semana revelam dados inaceitáveis:

– metade dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados por não corresponderem às “normas”; é uma realidade – a aparência leva ao desperdício de 30 a 50% dos alimentos disponíveis!

– mais de metade dos países do mundo não são “livres”; há menos ditaduras que democracias, mas o nº destes países com liberdade de pensamento e expressão total é uma minoria – apenas 90.

A educação, nomeadamente para a cidadania, tem de incluir explicitamente e desde o 1º Ciclo do Ensino Básico também estas questões e as suas implicações sociais e éticas na vida do Ser Humano, qualquer que seja a região do planeta onde viva.

Londres, Dezembro de 2012
Londres, Dezembro de 2012

Refletir sobre Educação

Serve este para divulgar dois documentos recentes que merecem reflexão sobre a educação que queremos e que vamos fazendo.

O primeiro da Comissão Europeia – “Repensar a educação – Investir nas competências para melhores resultados socioeconómicos” (disponível em Português em http://ec.europa.eu/education/news/rethinking/com669_pt.pdf) e tem algumas ideias que destaco, como:

– “O investimento na educação e na formação para o desenvolvimento de competências é essencial para estimular o crescimento e a competitividade: as competências determinam a capacidade da Europa para aumentar a produtividade” (p. 2).

– “As competências transversais, tais como a  capacidade de pensar de forma crítica, de tomar a iniciativa, de resolver problemas e de trabalhar em colaboração, irão preparar as pessoas para os percursos profissionais variados e imprevisíveis de hoje” (p. 4).

– ” Dos países para os quais há dados disponíveis, só a Espanha (orçamento central), Chipre e Portugal apresentaram uma diminuição do financiamento dos regimes disponíveis de apoio às pessoas no âmbito da educação. Qualquer diminuição no investimento de hoje irá inevitavelmente ter graves consequências a médio e longo prazo para o banco de competências da Europa” (p. 14-15).

O segundo documento relaciona-se com os resultados do TIMMS a Ciências e a Matemática, o qual está na versão Portuguesa no site do governo Português (em http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-da-educacao-e-ciencia/mantenha-se-atualizado/20121211-mec-matematica-ciencias.aspx). Neste é de salientar a melhoria dos resultados nacionais, comparativamente com os de 1995, última vez que os alunos do 4º ano (e também do 8º) tinham participado. Além das razões apontadas pelo Ministério da Educação, para esta melhoria nos últimos 15 anos, acrescentaria o possível contributo do Programa de Formação Contínua de Matemática e do Programa de Formação em Ensino Experimental das Ciências para Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.

Estes destaques e outros aspetos dos documentos merecem reflexão! Por exemplo, o que fazer para inverter a situação a Ciências, do relatório acima, em que “mais de metade dos alunos portugueses não ultrapassam o nível intermédio de benchmark (melhores práticas), o segundo mais baixo em quatro níveis. Quer isso dizer que em ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos”.

Capacidades para a Aprendizagem

Do artigo referenciado ao fundo aqui ficam as 9 capacidades a promover para uma aprendizagem no Sec. XXI:

#1. Tornar os assuntos / temas relevantes;

#2. Articular e promover a interdisciplinaridade na aprendizagem;

#3. Desenvolver as capacidades de pensamento;

#4. Encorajar a transferência da aprendizagem;

#5. Ensinar os alunos a aprender;

#6. Focar diretamente os erros e conceções alternativas dos alunos;

#7. Tratar o trabalho cooperativo como um resultado da aprendizagem;

#8. Explorar a tecnologia como suporte à aprendizagem;

#9. Promover a criatividade.

 

Learning 21st-century skills requires 21st-century teaching. By: ROSEFSKY SAAVEDRA, ANNA; OPFER, V. DARLEEN. Phi Delta Kappan. Oct2012, Vol. 94 Issue 2, p8-13.

Questões e Inquietações III

A publicação recente de legislação na área da educação, como o novo estatuto do aluno e a organização das escolas para o próximo ano letivo, têm provocado muitas questões e inquietações, como as que destaco a seguir:

– Se é importante dar autoridade ao professor (como já aqui defendi anteriormente) e deixar clara a responsabilidade e implicações da indisciplina, não seria também de ter aproveitado este novo estatuto do aluno para valorizar o mérito e o cumprimento das normas e regulamentos por toda a comunidade educativa?

– A tomada de decisão sobre as agregações de órgãos de gestão (vulgo mega-agrupamentos) e o aumento do número de alunos por turma é suportada por evidências da investigação em educação? Se sim, quais os estudos nomeadamente realizados no nosso (ou próximo) contexto social e cultural?

– Qual o significado dado a “ensino experimental” nestes documentos legislativos?

– Como é que este, tal como é entendido pela investigação em educação em Ciências, é compatível com turmas de 26 a 30 alunos e com as atuais condições, particularmente materiais, das escolas portuguesas?

– Onde e como serão integrados os outros elementos fundamentais para o sucesso educativo dos alunos: formação (inicial, pós-graduada, e continuada) de professores, recursos educativos de qualidade, como manuais escolares, necessidade de novos programas (os de Ciências do 1º e 2º CEB têm mais de 20 anos) em algumas áreas e disciplinas e a avaliação das aprendizagens dos alunos?

– Já agora, o que se entende por “formação científica” dos professores? Esta serve para legitimar a docência em qualquer área e nível de ensino?

A minha inquietação, dado o nosso historial cultural, prende-se com a vivência da “autonomia” que agora é dada às escolas para tomarem decisões. Vai ser necessária muita democracia participativa para se tomarem decisões racionais e sensatas sobre, entre outras, a duração das aulas, a distribuição das horas máximas das áreas por cada disciplina, particularmente no 2º e 3º CEB, e a gestão do crédito horário das escolas.

O “ambiente/clima” que parece apoderar-se da sociedade portuguesa e também das escolas e dos professores não parece ser propício a uma educação de qualidade e para todos sem exceções! Mas, vamos esperar pelo próximo ano letivo.

Arte nova em Aveiro, junho de 2012

Educação Para a Cidadania

Sou um defensor de uma Educação Para a Cidadania de qualidade nas escolas e em todos os níveis de ensino, desde a Educação Pré-escolar. Sou, pois, contra a sua exclusão, como Área Curricular Não Disciplinar, especialmente em um contexto social e económico como o que se vive atualmente em Portugal!

Desconheço se existe alguma estudo nacional de avaliação do impacte desta formação, desde a criação destas áreas, decorrente da publicação do Decreto-Lei nº 6/20o1. Uma decisão política desta natureza deveria ser enquadrado por estudos, pareceres e recomendações. Por isso, neste último caso sugiro a leitura e discussão da “Recomendação sobre Educação para a Cidadania” do Conselho Nacional de Educação e que pode ser consultada em:

http://www.cnedu.pt/images/stories/2011/PDF/Rec_Ed_Cidadania.pdf

Concorda com esta recomendação? O que pensa sobre a existência de uma  “nova disciplina de Formação Cívica (cf. Decreto -Lei n.º 50/2011 de 8 de abril) […] no ensino secundário, em adequada articulação com os processos que visam os melhores níveis de sucesso académico dos alunos. No ensino básico, deve ser revalorizada a educação para a cidadania democrática no âmbito da Formação Cívica, resgatando-a do enclausuramento excessivo relativo à gestão quotidiana dos problemas que decorrem das funções da direção de turma”?

Deveria existir a Formação Cívica? Com que abordagem e programa? …

Educar para a “desobediência”?

Entre notícias especialmente focadas na campanha para as presidenciais e a “crise” financeira, descobri uma notícia que merece destaque e pode ser lida em:

http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/escola-deve-estimular-pensamento-critico-dos-alunos-diz-exministro-da-justica_1368618

De título:
Escola deve estimular pensamento crítico dos alunos, diz ex-ministro da Justiça

a notícia chama a atenção para a defesa de uma necessidade que é finalidade última deste blogue. Mas o breve texto seguinte deixa logo alguma preocupação:
“A escola actual deveria educar para a “desobediência” no sentido em que deve estimular nos alunos o desenvolvimento de pensamento crítico,…”.

Será esta notícia lida com “sense” (bom senso)?
Ou não se correrá o risco de associar o Pensamento Crítico à “desobediência”? Ou mesmo “rebeldia”?
O que pensa(m) disto?

Eduquês?

Sem pretender ser repetitivo volto a remeter para a leitura do manifesto Espanhol que está neste blog no mês de Outubro de 2008 e rapidamente acessível em: http://blogs.ua.pt/ctspc/?m=200810

Deste manifesto destaco, adaptado ao contexto nacional:

  1. Não é verdade que na escola actual predomine um modelo de ensino diferente do convencional 
  2. Não é verdade que os aluno/as de hoje sejam piores que os de outros tempos
  3. Não é verdade que os docentes tenham um excesso de formação pedagógica e um deficit de formação em conteúdos

Neste contexto importa questionar:

  • A quem interessa o discurso do Eduquês?
  • Que propostas concretas e fundamentadas têm esses defensores (de quê?) apresentado? Baseadas em quê (além da crítica destrutiva e ofensiva e do desrespeito por todos os que trabalham e se esforçam pela melhoria da Educação em Portugal)?

poco.jpgQuinta da Regaleira, Junho de 2009

O que é educar?

Depois da pergunta feita no artigo anterior e no contexto da sua actual pertinência (ver por exemplo o site: http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=70055&visual=3&layout=10 em que o  presidente da Conselho Nacional de Educação (CNE), Professor Júlio Pedrosa, refere que ainda não houve um entendimento “sobre os fins da educação e o que é educar”) venho remeter para possíveis respostas (disponíveis na internet):

  • Lei de Bases do Sistema Educativo (lei nº 46/86)  e alterações seguintes como a última (Lei n.o 49/2005) – ver por exemplo em http://sitio.dgidc.min-edu.pt/recursos/Lists/Repositrio%20Recursos2/Attachments/405/lei_46_86.pdf
    “… o direito à educação, que se exprime pela garantia de uma permanente acção formativa orientada para favorecer o desenvolvimento global da personalidade, o progresso social e a democratização da sociedade.” (Art. 1, ponto 2);
    “… contribuindo para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão humana do trabalho. (Art. 2, ponto 4);“5 – A educação promove o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, formando cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformação progressiva. “ (Art. 2, ponto 5).
  • A tradução para Português de: “Olivier Reboul, La Philosophie de l’éducation, Paris: Puf, 1971, pp. 11-32.” que pode ser lida em: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/cadernos/ensinar/reboul.pdf; deste saliento:
    “A educação é a acção consciente que permite a um ser humano desenvolver as suas aptidões físicas e intelectuais bem como os seus sentimentos sociais, estéticos e morais, com o objectivo de cumprir, tanto quanto possível, a sua missão como homem; é também o resultado desta acção.”
  • A posição que um dos sites mais visitados por Educadores e Professores do Brasil: http://www.educador.brasilescola.com/orientacoes/o-que-educar.htm do qual se destaca:
    “Para a maioria das pessoas “educar” é uma obrigação exclusiva das escolas e de seus respectivos profissionais, se esquecendo que Educar é uma função de todos, tanto dos pais quanto dos educadores. O conceito de educar vai muito além do ato de transmitir conhecimento, educar é estimular o raciocínio, é aprimorar o senso crítico, as faculdades intelectuais, físicas e morais.”