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Diversos(idades)

Neste artigo venho divulgar um conjunto diverso de iniciativas e informações:

JustinoMagalhães-1

Educação em Ciências e PC

Venho, desta vez, destacar 2 eventos, para os quais se convidam todos, e uma investigação sobre Pensamento Crítico, neste caso no Ensino Superior.

Os dois eventos são:

  1. Apresentação amanhã – dia 21 de outubro de 2015  na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, do estudo “Multimédia no Ensino das Ciências”, que compila a investigação feita nos 5 últimos anos nesta área, debatendo as suas potencialidades e fragilidades: faz-se bom uso da tecnologia para ensinar Ciências? Tal como está no site da Fundação Francisco Manuel dos Santos o debate vai contar com os autores João Paiva e Carla Morais (Universidade do Porto) e comentários de Rui M. Vieira (Universidade de Aveiro). Já li o estudo e considero que, além do interesse para todos os que fazem investigação e formação nesta área, será um contributo para a discussão e reflexão sobre o papel das TIC na educação em geral e das Ciências, em particular.
  2. A 6ª Tertúlia “Pensar Educação” com a Professora Isabel P. Martins, que decorrerá de hoje a uma semana – dia 27 de outubro pelas 19h30min – com o título: “Professores, Educação e Sociedade – Dilemas ou desafios?”. Será mais uma oportunidade para ouvir e debater todo um conhecimento e experiência que importa muito considerar para o presente e um futuro sustentado em saber fundamentado! Atenção que é necessária inscrição (consultar site da tertúlia) e estamos limitados ao número de lugares do Restaurante Giz onde decorrerá esta tertúlia.

 

      No que se refere ao Pensamento Crítico remete-se para um estudo que se realizou em 38 Universidades públicas e 28 privadas norte-americanas sobre a ênfase que dão a este tipo de pensamento. O mesmo está sintetizado em:

http://www.criticalthinking.org/pages/study-of-38-public-universities-and-28-private-universities-to-determine-faculty-emphasis-on-critical-thinking-in-instruction/598

    e, pese embora ter já sido realizada a alguns anos e ser de uma realidade algo diferente da nossa, destaco retirando das conclusões:
    “Critical thinking is clearly an honorific phrase in the minds of most teacher educators such that they feel obliged to claim both familiarity with it and commitment to it in their teaching, despite the fact that few have had any in-depth exposure to the research on the concept and most have only a vague understanding of what it is and what is involved in bringing it successfully into instruction.”
    “Critical thinking is commonly confused with active involvement in learning (forgetting that active involvement alone is quite compatible with active “mislearning”).”
    “Even faculty in the CSU, which has a formal policy on critical thinking instruction, are apparently largely unfamiliar with the “definition of critical thinking” and specifications of what minimal conditions for instruction in it are inherent in the policy.”

Valor da Educação

O Conselho Nacional de Educação (http://www.cnedu.pt) depois da discussão e publicação da sua “Recomendação sobre Retenção Escolar no Ensino Básico e Secundário” e do seu impacto económico e ausência de melhorias na aprendizagem dos que repetem o mesmo ano, vem agora agora revelar  o valor de um curso superior.

Tal como está, por exemplo, no Jornal Público  de hoje 18 de abril de 2015 (http://www.publico.pt/):

  • “Um aluno com um curso superior ganha mais 1,7 milhões de euros, durante a sua vida profissional, do que alguém com apenas o 9.º ano”.
  • “David Justino sublinhou a importância da formação dos jovens e lembrou que desistir de estudar antes do tempo significa “piores condições de trabalho e piores remunerações””.
Museu da Escravatura, Luanda, Dezembro de 2014
Museu da Escravatura, Luanda, Dezembro de 2014

 

Formação de Professores em Portugal

Acabam de ser publicadas as Atas do III ENEB – Encontro Nacional de Educação Básica, que se tinha realizado na Universidade de Aveiro em 2012,  e cuja referência bibliográfica completa é:

 Portugal, G., Andrade, A. I., Tomaz, C., Martins, F., Costa, J. A., Migueis, M. R., Neves, R., & Vieira, R. M. (Orgs.) (2014). Formação inicial de professores e educadores: experiências em contexto português. Aveiro: UA Editora.

capa das Atas
capa das Atas

A publicação encontra-se disponível em http://cidtff.web.ua.pt/pdf/ATAS_IIIENEB.pdf

e está também disponibilizada no RIA:  http://ria.ua.pt/handle/10773/12828

Sem pretender ser exaustivo é uma das poucas publicações em Portugal que descreve e reflete sobre a formação inicial de Professores e Educadores à luz do denominado “processo de Bolonha”. Lamento, como um dos organizadores, que este não tenha sido publicado mais cedo, por forma a permitir que as recentes mudanças na formação de Professores fossem melhor fundamentadas!

Diversos temas

O tempo condiciona as nossas intenções e ações!

A diversidade de ideias e temáticas que merecem atenção neste espaço são variadas e vão surgindo conforme a nossa atividade e atualidade das mesmas. Todavia a vontade de escrever neste é muito condicionada pelo tempo disponível e também pelo cansaço quando o mesmo tempo parece poder propiciar espaço para a reflexão sensata e focada.

Assim o 1º tema que merece, pelo menos, uma referência é o que se prende com os fatores e ações que contribuem para o sucesso escolar.  Entre eles está o envolvimento familiar ( proximamente escreverei aqui sobre uma Tese que orientei também sobre esta questão). Nesta ótica esta semana a Assembleia da República (http://www.parlamento.pt/Paginas/default.aspx) proporcionou a divulgação do programa “Mediadores para o Sucesso Escolar”, o qual evidencia que é mais vantajoso prevenir do que combater o insucesso escolar. Um dado relevante (embora percentualmente discutível)- em um universo de 13 mil alunos apoiados por este programa, mais de 1700 conseguiram obter sucesso escolar. Mais informação pode também acedida em: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/programa-de-comabte-ao-insucesso-escolar-quer-chegar-a-todo-o-pais-1659064 .

Neste sentido e dado que estamos em período de exames importa refletir também sobre o valor e impacte das reprovações / retenções (vulgarmente chamados de chumbos). Por exemplo, logo na 1ª página do jornal Expresso de hoje (http://expresso.sapo.pt/a-primeira-pagina-do-expresso=f877038) está o título que “Chumbos não ajudam a recuperar o desempenho dos alunos”. Esta tem sido uma questão reiterada nos estudos internacionais!

Contudo, numa fase em que os professores de Matemática e Língua Portuguesa estão a tentar recuperar os alunos que reprovaram nos exames destas duas disciplinas importa questionar os custos destas medidas, nomeadamente junto de alunos que, durante o ano pouco (para não dizer nenhum) esforço fizeram para aprenderem e obterem resultados positivos. O ónus tem estado sempre e exclusivamente nos professores e tal é, no mínimo, muito pernicioso. Na sequência do referido acima não basta aos Pais assinarem a concordarem com tais apoios para a 2ª fase dos exames!

Finalmente,  além da discussão (e formação que é absolutamente necessária) em torno dos exames e da avaliação das aprendizagens (ver por exemplo a polémica esta semana sobre o alegado erro nos critérios de correção do exame de Português) importa saudar a iniciativa de divulgar dados e estatísticas dos cursos de ensino superior português (em: http://infocursos.mec.pt/). Mas, ao pesquisar verifiquei que no mesmo site e em várias instituições só estão cursos de 1º ciclo (Licenciatura); ora, nestes casos, apresentar gráficos sobre “Taxa de desemprego registado no IEFP dos diplomados deste curso”, por exemplo, no curso de “Educação Básica” que não é profissionalizante é, no mínimo, pouco compreensível e pode ser enganador! Os jovens candidatos aos cursos podem pensar que serão professores ao fim de3 anos desta Licenciatura, quando na realidade ainda terão, depois, de se candidatar e obter êxito em um Mestrado, no mínimo com mais 3 semestres (de acordo com o novo Decreto-Lei da Formação de Professores).

Preocupação

Insiste-se que a Educação de qualidade é a chave da mudança! Já escrevi e fundamentei aqui anteriormente que só assim podemos mudar o nosso futuro coletivo criticamente (construtiva, esclarecida, sensata e ativamente).

Daí que o último boletim do Eurostat de abril (http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/3-11042014-AP/EN/3-11042014-AP-EN.PDF) sobre os indicadores de término do ensino superior na Europa a 28, mostre que a situação em Portugal começa a ser dramática. Sendo a meta para 2020 de 40% percebe-se que se terá de fazer um esforço deliberado para a atingir, dado que entre os 30 e os 34 anos apenas temos, em 2013, a percentagem de 29,2.

Ainda mais preocupante se torna quando se verifica que existem cada vez mais alunos que terminam o Ensino Secundário e não vão frequentar o Ensino Superior (ver por exemplo a notícia em: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/ha-menos-estudantes-do-secundario-a-querer-tirar-um-curso-superior-1632786). Urgem medidas para combater duas das razões apontadas para esta situação: “Dificuldades económicas” e “Não gostar de estudar”.

Além das bolsas aos estudantes que o justifiquem existem medidas, várias também já aqui identificadas, que se exigem até por compromissos políticos assumidos por Portugal.

Teaching Day

Na última quarta-feira, 27 de novembro realizou-se na Universidade de Aveiro a 2ª edição do Teaching Day, alusiva ao tema da “Inovação Pedagógica”. Foi um momento de partilha de experiências pedagógicas no qual, estudantes e docentes, apresentaram perspetivas e exemplos de boas práticas de formação. O programa integrou painéis temáticos, comunicações e uma sessão expositiva composta por cerca de 40 pósteres, os quais estarão brevemente disponíveis em http://www.ua.pt/teachingday . Neste site também se pode encontrar o programa completo, bem como fotos (no Sapo Campus), das quais se inclui uma abaixo.

Com um auditório praticamente cheio foi muito interessante revisitar momentos dos 40 anos de história da UA (com os Professores Victor Gil, Júlio Pedrosa, Isabel Alarcão e António Ferrari), refletir criticamente sobre a importância de diferentes contextos e ambientes de aprendizagem e discutir o conceito e a prática de inovação pedagógica.

Desejo que esta iniciativa tenha continuidade e permita criar redes de reflexão e investigação em torno da melhoria do processo de ensino e de aprendizagem no Ensino Superior.

Teaching Day 2013 (retirada de http://fotos.ua.sapo.pt/sre/playview/454)
Teaching Day 2013 (retirada de http://fotos.ua.sapo.pt/sre/playview/454)

Ensino Superior

Está disponível no site (http://www.crup.pt/images/CRUP_final.pdf) do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) o Relatório sobre o Ensino Superior Português elaborado pela European University Association (EUA). Trata-se de um documento com informações relevantes e recomendações como as que reproduzo:

“R 42 The team recommends that the CCES, in approving strategic plans, use the following criteria:
quality; innovative student-centred pedagogy; labour market projections and employer involvement;
complementarity with distance learning provision; international collaboration and attractiveness.
R 43 The team recommends that CCES coordinate measures to intensify Portuguese efforts to
approach the EU target of graduation of 40% of the 30-34 age band by 2020.”

Universidade de Aveiro
Universidade de Aveiro