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Reptos

Depois das férias e com o início de mais um ano letivo foi-me solicitado um artigo breve sobre a educação para o Diário de Aveiro. O tempo foi escasso e por isso retomei algumas das ideias que tenho vindo a defender para a Educação, nomeadamente em Portugal.

O mesmo foi publicado no dia 15 de setembro e também no site da Universidade de Aveiro (em: http://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?c=47628&lg=pt). Agradeço todos os comentários e partilhas, especialmente no Facebook (https://www.facebook.com/ruimv).

Mas desejo muito que o futuro comece já a ser pensado, discutido e preparado. Por isso sou dos que pensam que tal é possível com um pacto educativo.

Artigos – V SIACTS

Realizou-se na semana passada, como aqui também foi anunciado, o V SIACTS, o qual constituiu a 9.ª edição do Seminário CTS, cujo tema geral escolhido este ano foi: “Novos Desafios Societais no Ensino das Ciências e Tecnologia”. Contou com a participação de cerca de 200 investigadores e professores de diferentes países (Portugal, Espanha, Brasil, México, Colômbia, Argentina, Paraguai e Perú), sendo cerca de 75% estrangeiros.

Do vasto programa (ver: http://seminariocts2016.web.ua.pt/?page_id=6) destaco a conferência inaugural que ficou a cargo do Professor Boaventura de Sousa Santos e a Conferência de encerramento foi proferida pelo Professor Rui Agostinho. Os temas discutidos ao longo dos 3 dias do V SIACTS, foram a formação de professores, os currículos escolares e a educação para a sustentabilidade.

Esta diversidade de trabalhos deste V SIACTS pode ser consultada na revista online Indagatio Didactica (vol. 8, nº 1, 2016), (em: http://revistas.ua.pt/index.php/ID/).

Boas leituras e boas férias, se for o caso.

Livros e Mudanças

A diversidade de publicações  e de mudanças que têm ocorrido no campo da educação, que este governo e a assembleia da república têm avançado em Portugal, têm sido prolixas. Várias destas merecem alguns juízos de valor que irei encetar, de forma mais ponderada e reflexiva, nos próximos tempos.

Neste momento destaco os seguintes livros que estão disponíveis também nos sites que se incluem:

Das mudanças na política de educação que se avizinham assinalo aqui:

  • Fim dos exames do 4º ano;
  • Novo Modelos de graduação e colocação de Professores;
  • Exames de aferição, provavelmente para o 4º e 6ª anos;
  • Possível prova ou exame de literacia Científica no ensino básico, como hoje defendeu o Presidente do CNE;
  • Mais que provável suspensão das Metas Curriculares, desde já no 1.º Ciclo.

Boas leituras e que as decisões políticas desta vez sejam mesmo sustentadas na investigação que se vai realizando na educação!

Perspetivas Diferentes

Serve este artigo para destacar diferentes iniciativas de âmbito educacional e que relevam perspetivas diferentes:

  • Teaching Day 2015 na UA que se realizou hoje e cujo programa teve uma grande diversidade de iniciativas interessantes, sendo algumas ligadas às temáticas desta página (Programa em: http://www.ua.pt/teachingday/page/20473?ref=ID0ECCA);
  • Próxima Tertúlia “Pensar Educação” no dia 10 de dezembro de 2015 no Departamento de Educação da UA com a Prof. Ana Benavente com o título: “A Educação para todos”: Que escola temos? que escola queremos?” (cartaz como foto no final deste post). Mais informação e inscrição para participação em: http://tertuliapensareduca.blogspot.pt/
  • 1º Encontro Internacional de Formação na Docência, que se vai realizar no IP de Bragança no dia 4 e 5 de março de 2016; toda a informação sobre evento pode ser consultada em: http://incte.ipb.pt/ .

CARTA _TERTULIA_AnaBenavente_2015

Formação de Professores em Portugal

Acabam de ser publicadas as Atas do III ENEB – Encontro Nacional de Educação Básica, que se tinha realizado na Universidade de Aveiro em 2012,  e cuja referência bibliográfica completa é:

 Portugal, G., Andrade, A. I., Tomaz, C., Martins, F., Costa, J. A., Migueis, M. R., Neves, R., & Vieira, R. M. (Orgs.) (2014). Formação inicial de professores e educadores: experiências em contexto português. Aveiro: UA Editora.

capa das Atas
capa das Atas

A publicação encontra-se disponível em http://cidtff.web.ua.pt/pdf/ATAS_IIIENEB.pdf

e está também disponibilizada no RIA:  http://ria.ua.pt/handle/10773/12828

Sem pretender ser exaustivo é uma das poucas publicações em Portugal que descreve e reflete sobre a formação inicial de Professores e Educadores à luz do denominado “processo de Bolonha”. Lamento, como um dos organizadores, que este não tenha sido publicado mais cedo, por forma a permitir que as recentes mudanças na formação de Professores fossem melhor fundamentadas!

C+T+S

Tenho sido questionado sobre afinal como se pode definir atualmente Ciência (C), Tecnologia (T) e Sociedade (S). Não há uma única e consensual definição destes empreendimentos e que contemple tudo o que incluem a CTS.

Já escrevi sobre estes e suas inter-relações, nomeadamente na minha tese e livro de 2011 sobre a Educação CTS (ver publicações deste blog).  Todavia voltei a fazer uma pesquisa rápida e encontrei (mantendo no original) várias definições como as que a seguir se destacam.

CIÊNCIA:

  • Aikenhead (ver, por exemplo, em:  http://www.usask.ca/education/profiles/aikenhead/webpage/sts05.htm) define Ciência como “The study of the natural world we call science.”

  • Science is both a body of knowledge and a process. In school, science may sometimes seem like a collection of isolated and static facts listed in a textbook, but that’s only a small part of the story. Just as importantly, science is also a process of discovery that allows us to link isolated facts into coherent and comprehensive understandings of the natural world. (http://undsci.berkeley.edu/article/whatisscience_01)
  • According Webster’s New Collegiate Dictionary, the definition of science is “knowledge attained through study or practice,” or “knowledge covering general truths of the operation of general laws, esp. as obtained and tested through scientific method [and] concerned with the physical world.

TECNOLOGIA:

  • De acordo com o mesmo Aikenhead tecnologia tem a ver com  “The study of the artificially constructed world is technology. Technology is primarily concerned with developing knowledge and designing processes, in response to human needs and societal problems”.
  • In a research and development organisation such as ESA, technology is a concept of primary importance, so by necessity the definition of the word is precise: ‘technology is the practical application of knowledge so that something entirely new can be done, or so that something can be done in a completely new way.’ (da agência espacial europeia: http://www.esa.int/Our_Activities/Technology/What_is_technology);  People make tools in order to do tasks they cannot otherwise accomplish – engineering is actually defined as ‘the use of technology to solve specific technical problems’.
  • “Technology is a body of knowledge devoted to creating tools, processing actions and extracting of  materials. The term ‘Technology” is wide and everyone has their own way of understanding the meaning of technology. We use technology to accomplish various tasks in our daily lives, in brief; we can describe technology as products, processes or organizations. We use technology to extend our abilities, and that makes people as the most important part of any technological system. Technology is also an application of science to solve a problem. But what you have to know is that technology and science are different subjects which work hand-in-hand to accomplish a specific task or solve a particular problem “(http://www.useoftechnology.com/what-is-technology/).

SOCIEDADE

Diferenças entre Ciência e Tecnologia:

Além de muitos artigos disponíveis nas bases de dados e servidores de variadas instituições e revistas aconselho a visualização do quadro comparativo em:  http://www.diffen.com/difference/Science_vs_Technology

Afinal a visão que hoje é trabalhada desde o ensino básico ao superior é coerente com que realmente acontece nos vários campos de saber?

Esperança para 2014!

Neste ano que termina considero, no mínimo, preocupante o ambiente pouco racional que se vive na educação e que, face ao estado social e económico que toca à maioria dos portugueses e também os professores, não augura resultados positivos nas aprendizagens dos alunos. Neste lote está a Prova de Acesso à Docência e as últimas afirmações do Sr. Ministro sobre a formação de Professores; estas terão de ser fundamentadas, sob pena de comprometer a sua credibilidade. A este nível compartilho a maioria do referido no artigo de Maria Emília Brederode Santos que publicou nesta véspera de Natal no Público (ver em: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/orgulho-e-preconceito-1617347).

Desejo que 2014 traga dignidade à profissão Docente e não posso deixar de concordar com o escrito na lição síntese das Provas de Agregação da Professora Cecília Galvão:

"Não me parece que algum pedagogo defenda, com a facilidade apontada aos fazedores de opinião, uma escola apenas lúdica, divertida, em que as aprendizagens se tornam superficialidade; esta é uma leitura apressada de quem não se esforçou por entender a verdadeira mensagem e que sofre daquilo que é imputado à escola. Basta dizer que estas ideias que correm nunca são fundamentadas, baseiam-se em opiniões dos próprios, fundadas numa escola que viveram, já fruto de imaginação destorcida" (2010, p. 7-8).

Como informação de esperança no futuro divulgo a Academy Cube (que está por exemplo em: https://www.facebook.com/academycubept) e que é uma plataforma que reúne todos sectores industriais, com necessidades de diplomados nas Instituições de Ensino Superior da Europa em ciências, engenharias, matemáticas e informática, permitindo identificar profissionais destas áreas. Aconselho a visualização das ofertas de emprego em: http://academy-cube.eu/job-offers/ .

Que 2014 seja melhor que o anterior!

Prova de Acesso

Foi divulgada esta semana informação sobre a componente comum da Prova de Avaliação do desempenho ao exercício de funções docentes.  No site do Ministério da Educação está:

“A componente comum da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades tem por objetivo avaliar o desempenho dos candidatos ao exercício de funções docentes no que respeita a conhecimentos e capacidades considerados essenciais para a docência nos diferentes níveis de ensino, nomeadamente no que respeita à leitura e interpretação de textos de diversas tipologias, à mobilização do raciocínio lógico e do pensamento crítico orientado para a resolução de problemas em contextos não disciplinares e ao domínio da expressão escrita.” (retirado de http://pacc.gave.min-edu.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=14&fileName=Inf_Prova_Comum_2013_.pdf)

Entretanto, o jornal Público pediu a diferentes cidadãos (alguns menores) para realizarem a prova (ver http://www.publico.pt/sociedade/noticia/adolescentes-responderam-a-escolha-multipla-da-prova-e-passaram-1613611) e a maioria tinha aprovação nas questões de escolha múltipla. Vamos ver o que acontece no dia 18 de Dezembro.

Antes disso e neste contexto urge questionar:

  • Quais os referenciais que foram usados para as opções  feitas (tipologia de questões, cotação, …)?
  • Qual a Investigação que suporta este modelo de prova?
  • Regista-se, com agrado o apelo ao pensamento crítico; todavia, que capacidades estão a ser avaliadas? Porquê essas? …

As respostas a estas questões são uma exigência para quem tem de realizar esta prova e para quem está envolvido na formação de Professores.

Leça da Palmeira, julho de 2013
Leça da Palmeira,  julho de 2013

Professores

Os desafios atuais da formação de professores são enormes e complexos. No contexto nacional e face principalmente às opções economicistas que têm sido tomadas tais desafios são exponenciados consideravelmente! Mais que conjeturar sobre as implicações futuras que estas políticas poderão ter na qualidade da educação dos nossos alunos e estudantes importa não deixar que o (des)ânimo impere!

Nesta base, avanço com propostas de reflexão e ação em contexto que nos podem impelir de coletivamente construirmos um futuro de esperança. Para tal  sugiro:

Bom final de ano para todos os Professores!

Professores do Sec. XXI

Acaba de ser publicado um relatório “Teachers for the 21st Century -Using Evaluation to improve Teaching” (clique em cima do título para aceder ao documento completo) da OCDE, o qual apresenta dados e recomendações muito relevantes para a formação e avaliação de Professores. Com o propósito que esta sirva  para que as escolas possam atingir as suas metas destaco deste relatório:

  • Os quadros de referência para esta avaliação de Professores, de vários países, é promotor do seu Desenvolvimento Profissional e procura ter em conta a investigação em Educação que tem vindo a ser produzida. Veja-se o exemplo seguinte do Canadá (província de Ontario).

Captura de ecrã - 2013-03-03, 16.44.03

  • É proposto, como base na revisão do “mapa” de vários países em análise e de trabalhos de investigação, um “framework for teaching” com 4 componentes:

• planning and preparation: demonstrating knowledge of content and pedagogy, demonstrating knowledge of students, selecting instructional goals, designing coherent instruction, and assessing student learning;

• the classroom environment: creating an environment of respect and rapport, establishing a culture for learning, managing classroom procedures, managing student behaviour, and organising physical space;

• instruction: communicating clearly and accurately, using questioning and discussion techniques, engaging students in learning, providing feedback to students, demonstrating flexibility and responsiveness; and

• professional responsibilities: reflecting on teaching, maintaining accurate records, communicating with families, contributing to the school and district, growing and developing professionally, showing professionalism.

  • Da revisão feita o relatório conclui com as lições que se podem tirar até ao momento sobre a avaliação de Professores e que se sistematiza na caixa seguinte retirada da página 71 do relatório.

Captura de ecrã - 2013-03-03, 17.03.47

 

Refletir sobre Educação

Serve este para divulgar dois documentos recentes que merecem reflexão sobre a educação que queremos e que vamos fazendo.

O primeiro da Comissão Europeia – “Repensar a educação – Investir nas competências para melhores resultados socioeconómicos” (disponível em Português em http://ec.europa.eu/education/news/rethinking/com669_pt.pdf) e tem algumas ideias que destaco, como:

– “O investimento na educação e na formação para o desenvolvimento de competências é essencial para estimular o crescimento e a competitividade: as competências determinam a capacidade da Europa para aumentar a produtividade” (p. 2).

– “As competências transversais, tais como a  capacidade de pensar de forma crítica, de tomar a iniciativa, de resolver problemas e de trabalhar em colaboração, irão preparar as pessoas para os percursos profissionais variados e imprevisíveis de hoje” (p. 4).

– ” Dos países para os quais há dados disponíveis, só a Espanha (orçamento central), Chipre e Portugal apresentaram uma diminuição do financiamento dos regimes disponíveis de apoio às pessoas no âmbito da educação. Qualquer diminuição no investimento de hoje irá inevitavelmente ter graves consequências a médio e longo prazo para o banco de competências da Europa” (p. 14-15).

O segundo documento relaciona-se com os resultados do TIMMS a Ciências e a Matemática, o qual está na versão Portuguesa no site do governo Português (em http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-da-educacao-e-ciencia/mantenha-se-atualizado/20121211-mec-matematica-ciencias.aspx). Neste é de salientar a melhoria dos resultados nacionais, comparativamente com os de 1995, última vez que os alunos do 4º ano (e também do 8º) tinham participado. Além das razões apontadas pelo Ministério da Educação, para esta melhoria nos últimos 15 anos, acrescentaria o possível contributo do Programa de Formação Contínua de Matemática e do Programa de Formação em Ensino Experimental das Ciências para Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.

Estes destaques e outros aspetos dos documentos merecem reflexão! Por exemplo, o que fazer para inverter a situação a Ciências, do relatório acima, em que “mais de metade dos alunos portugueses não ultrapassam o nível intermédio de benchmark (melhores práticas), o segundo mais baixo em quatro níveis. Quer isso dizer que em ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos”.

Estudo do Impacte do PFEEC

A DGE do Ministério da Educação (ME) acaba de disponibilizar o Relatório do Estudo de Avaliação do Impacte do Programa de Formação em Ensino Experimental das Ciências para Professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico (PFEEC); este pode ser consultado em:

http://www.dgidc.min-edu.pt/outrosprojetos/index.php?s=directorio&pid=203#i

O trabalho foi concluído e entregue no ME-DGIDC (à data) em Dezembro de 2011. O relatório final que agora se apresenta é o resultado desse estudo, o qual foi coordenado pela Professora Isabel Martins, a quem competiu constituir e dirigir a equipa de investigação, à qual pertenci.

Tendo em conta o conhecimento científico-pedagógico proporcionado aos professores por este Programa, bem como o apetrechamento das escolas envolvidas e os recursos produzidos, o ME considerou importante levar a efeito um estudo, que permitisse avaliar o seu impacte, entre outros, nas práticas docentes e nos resultados de aprendizagens dos alunos.

Recorde-se que o PFEEC  se desenvolveu ao longo de quatro anos letivos, entre 2006 e 2010. Todos os materiais produzidos no âmbito deste Programa foram sendo disponibilizados e estão ao dispor de toda a comunidade educativa, na página da DGE, podendo ser utilizados na Formação de Professores bem como na prática letiva dos professores deste e outros níveis de ensino. Aliás, dentro em breve (depois voltarei aqui a divulgar) será publicado o guião nº 8!

Este estudo de avaliação, conduzido a nível nacional, foi desenvolvido e o relatório que se apresenta incluiu os resultados e conclusões alcançados. Pese embora a sua extensão que comentários se podem avançar?