Cidadania? Educação para a cidadania?

O debate em torno da educação para a cidadania que a área/disciplina obrigatória (no ensino básico) de “Cidadania e Desenvolvimento” provocou nos últimos meses e, particularmente nas últimas semanas, em Portugal, tem sido interessante e revelador do quanto precisamos de discutir o que é a educação, a que pretendemos que seja e a que tem sido após o 25 de abril de 74.

Só nos últimos dias surgiram três artigos no Jornal Público e que aqui partilho (no que está disponível para não assinantes) dadas as diferentes posições e perspetivas:

– Isabel Menezes, Presidente da SPCE e Professor Universitária – https://www.publico.pt/2020/09/12/opiniao/opiniao/lugar-central-escola-educacao-cidada-1931323

– António Barreto, Sociólogo – https://www.publico.pt/2020/09/13/opiniao/opiniao/questao-educacao-1931298

– Santana Castilho, Professor do Ensino Superior – https://www.publico.pt/2020/09/16/opiniao/opiniao/tribalismo-cidadania-1931631 ou https://www.facebook.com/santana.castilho.94

Além destes existem muitos outros documentos que podem ajudar neste debate, como as posições do Conselho Nacional de Educação (https://www.cnedu.pt/pt/noticias/cne/1586-posicoes-do-cne-em-materia-de-educacao-para-a-cidadania) e o todos os documentos da “Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania” que estão em: https://www.dge.mec.pt/educacao-para-a-cidadania/documentos-de-referencia . A este nível, pode-se e deve-se debater e discutir, por exemplo, os temas propostos para esta área no ensino básico e secundário (talvez onde tenham começado as divergências, nomeadamente com os “alunos de Famalicão” que não frequentaram estas aulas e não foram depois avaliados; ver síntese por exemplo em: https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/caso-dos-alunos-de-famalicao-e-disciplina-de-cidadania-escola-nao-lhes-atribuiu-notas). E que há autonomia das escolas, também nesta área, para algumas opções!

Acrescento, em linha com alguma da argumentação usada, que temos a Constituição da República Portuguesa e a LBSE (Lei nº 46/86) que orientam e fundamentam as opções nesta e em outras questões educativas. Além disso partilha-se, ainda mais no contexto deste espaço, algumas outras posições que têm sido avançadas, como a deste vídeo na TVI: “DISCIPLINA DE CIDADANIA É FUNDAMENTAL PARA “DESENVOLVER O PENSAMENTO CRÍTICO DOS JOVENS”, acessível em: https://tvi24.iol.pt/videos/sociedade/disciplina-de-cidadania-e-fundamental-para-desenvolver-o-pensamento-critico-dos-jovens/5f5d0a080cf225c2355d606b .

Bom ano letivo para todos e saúde.

Pandemia(s) e peso do vazio

Vivemos uma pandemia (COVID-19) que continua a fazer vítimas e a afetar e a condicionar a vida da maioria das pessoas de todo o planeta. Esperemos que rapidamente se obtenha uma cura, embora tal pareça ser muito difícil ainda este ano de 2020, e muito menos para todos.

Esta incrementou e proporcionou a tomada de consciência de outras “pandemias”. Uma delas é a da desinformação (vulgo Fakenews) e seus derivados, como as notícias falsas e a má informação. Outra é o crescimentos das conferências, encontros e afins online e webinares. De facto alguns congressos e conferências, como a que estou envolvido, que se realizará em Valência – VII SIA-CTS, tiveram de ser adiados e/ou passar a online em função da situação pandémica que se vivencia. Outros eventos surgiram neste período e crescem devido à facilidade da sua organização e baixo custo (ou mesmo ausência de custos).

Participei em alguns destes últimos, como aqui dei conta, e depois, dado o elevado número de convites, tive de ir recusando e adiando outros. Assisti voluntariamente a outros, para enriquecimento e salutar troca de argumentos e referenciais.

Desta participação e formação resultou um conjunto de aprendizagens, boas experiências e partilhas, especialmente com algumas Universidades Brasileiras. De outros resultou um vazio e um conjunto de opiniões e banalidades!

E deixo as palavras de Mia Couto (2019), que sugiro como leitura de Verão, sobre o “peso do vazio” que escreve em o “Universo num grão de areia”:

“O ato de pensar foi dispensado pelo uso mecânico de uma linguagem de moda. Já falei do workshopês como uma espécie de idioma que preenche e legitima a proliferação de seminários, workshops e conferências, que pululam de forma improdutiva pelo mundo inteiro” (p. 165).

Destaques da semana

Em um final de ano letivo atípico e sem aulas presenciais desde março, em praticamente todos os sistemas de ensino em Portugal, com exceção dos alunos que vão a exame (11º e 12º anos), os destaques da semana são para:

  • Agradecer aos professores que fizeram um esforço por fazer um E@D com a qualidade possível (pelo vistos alguns foi mais Ensino Remoto de Emergência – ERE) e procurando acompanhar todos os seus alunos, mesmo os que não tinham recursos digitais.
  • Reconhecer e enaltecer os professores e investigadores em educação que foram participando em debates e partilhas de experiências e boas práticas neste contexto. Lamenta-se é que muitos outros comentadores e políticos apareçam em debates públicos sem que se perceba a relevância e contributos na área da educação; é quase como colocar outros, que não médicos, a discutir e a decidir sobre esta pandemia!
  • Divulgar e “parabenizar” as três Universidades Brasileiras que nos convidaram e pelas excelentes perguntas que fizeram no final da conferência sobre “O pensamento crítico no combate à pandemia da desinformação” (https://www.youtube.com/watch?v=j4kCcx-5vr0).

Competência(s) e Profissionalidade Docente

Assistimos nos últimos dois meses, um pouco por todo o mundo, a uma mudança abrupta nos modos de viver e trabalhar fruto da COVID-19. Na educação e em Portugal foram tonadas decisões políticas, como a de este ano letivo não se retomar a escola, exceto nos anos terminais do Ensino Secundário e Profissional, bem como nos Infantários e Ensino Pré-escolar.

Neste quadro foram dadas orientações e feitos roteiros pelo Ministério da Educação, já aqui abordados em artigos anteriores (ver abaixo) para um E@D e/ou com implementação da tele-escola. Muito há a dizer sobre as opções e a realidade quanto a competências, incluindo profissionais e de recursos ao dispor para tais desafios, ainda mais com a heterogeneidade e diversidade de alunos e contextos sócio-económicos e culturais que evidenciamos.

Uma parte do que penso e defendo pode ser encontrado em: https://www.facebook.com/JornaldoCentro/videos/2493818574282091/UzpfSTYxNzYwNjgzNTAwMjc3ODoyODcxMzM0MTA5NjMwMDI4/?q=jornal%20do%20centro&epa=SERP_TAB

Além deste e particularmente do que tem sido visível, especialmente na tele-escola da RTP Memória e seu site, mais que juízos de valor, deixo algumas questões:

  • Está a o “Perfil dos Alunos à saída da Escolaridade Obrigatória” (ME, 2017) a orientar estas práticas educativas? Como? Seria bom ter a partilha de boas práticas a este nível e com indicação explícita de quais competências foram integradas.
  • Estão a ser seguidas as “Aprendizagens Essenciais” de cada disciplina ou área? Por exemplo, porquê a sequência de conteúdos / temas ou tópicos que está a ser seguida em algumas disciplinas (sendo que a gestão de dois anos letivos juntos deveria ter uma/alguma lógica concetual) na tele-escola?
  • Como está a correr a avaliação das aprendizagens dos alunos, sabendo que na maioria dos casos não há garantias que os trabalhos e propostas sejam só realizados pelos estudantes? …

Bom, vamos ver como corre este final de ano e o que está a ser pensado para o próximo. Neste momento, dadas as características das salas de aula no nosso país, seria bom já ser pensadas, a serem aulas presenciais, que sejam com turmas mais pequenas, que deve ser em torno de 15 estudantes, como parece que vai acontecer em Espanha (ver notícia no El País) ou em França (também notícia do Le Monde). Especialmente no Ensino Básico esta medida é crucial, até para evitar um 2º surto ou situação de risco a partir de setembro ou outubro, entre alunos e com os professores e restante comunidade educativa.

São necessárias orientações e apoio efetivo profissional aos professores para se evitar o que começa a ser relatado, como se pode ver nesta notícia do DN e nesta sobre os efeitos psicológicos das vídeo-conferências. Reitera-se que sem competentes, motivados, reconhecidos e valorizados professores não são possíveis mudanças de qualidade na educação, como a que se espera deste tele-trabalho a que estamos “confinados”.

Termino com as palavras de E. Morin (também no DN) , o qual espera que esta crise possa:

“revelar como a ciência é uma coisa mais complexa do que se quer crer. É uma realidade humana que, como a democracia, assenta sobre os debates de ideias, embora os seus modos de verificação sejam mais rigorosos.”

Adiamento do VII SIA-CTS

Em face da situação que se vive neste momento de pandemia a comissão organizadora do VII Seminário Ibero-americano CTS, que se realizará em Valência, decidiu adiar a sua realização de junho para novembro de 2020, como se poderá ver no site institucional: https://congresos.adeituv.es/cts2020/ficha.xx.html

Em consequência haverá alteração de datas, como os artigos completos poderem ser entregues até 17 de maio de 2020.

E@D (em situação de confinamento)

No final das duas semanas sem atividades letivas presenciais no ensino básico e secundário em Portugal, devido à COVID-19 e ao “estado de emergência”, o Ministério da Educação (ME) produziu e divulgou o roteiro com os “8 Princípios Orientadores para a Implementação do Ensino a Distância (E@D) nas Escolas”. Depois de uma apreciação ponderada e no contexto da situação excecional que todos vivemos, no âmbito deste espaço digital, destaco:

  • A demora em produzir orientações, as quais deveriam ter sido acauteladas nos primeiros dias sem escola, mesmo que mais sintéticas; pelo que, pese embora alguma descoordenação em alguns casos por excesso de zelo, os professores assumiram, uma vez mais e de modo profissional (se não haveria o movimento das forças de bloqueio à Educação, que os fazedores de opinião tinham feito questão de ampliar) a tomada de decisão para a melhor forma de gerir as duas semanas finais do 2.º período, procurando chegar a todos os alunos, dentro do que estava ao seu alcance. Todos precisavam pois de orientações! Mas as que chegaram podem considerar-se ainda algo vagas, como as que a seguir se transcrevem: “Um plano de E@D poderá conter as seguintes etapas: Modelo de ensino a distância”; “Para apoiarem os docentes, os coordenadores devem demonstrar confiança no seu trabalho em curso, bem como transmitir tranquilidade e disponibilidade para esclarecimentos”; “Promover a interajuda entre professores”; e “5.1. As metodologias de ensino desenvolvidas no E@D devem ser apelativas e mobilizadoras dos alunos para a ação”. Outros também pensam desta forma, como de pode ler nesta notícia do jornal Público.
  • Existem outros aspetos apontados a este roteiro que se podem considerar menos positivos; um deles é não considerar assimetrias e desiguais acessos a redes digitais e respetivo(s) equipamento(s), como tem sido destacado, incluindo na comunicação social, como por exemplo no artigo com o título: Ministério não acautela alunos sem Internet no seu novo Plano de Ensino à Distância. Claro que se está a pensar em outros meios para colmatar tal, como o do uso da televisão. Mas o tempo da tele-escola tem de ser o atual e deve ser ponderado bem o que, quando, com quem e como se vai também usar a TV! Que amanhã, como tem sido anunciado, sejam tomadas decisões fundamentadas sobre o 3ª período!
  • Importa, tal como outros já avançaram (por exemplo S. Castilho – “Tocata para um ministro à distância”) que se passe à ação e com medidas concretas antes de começar o 3º período. No quadro da autonomia das escolas e dos professores propõe-se que sejam efetivamente respondidas as seguintes questões concretas: Como se vai organizar o horário letivo dos alunos? 45-50min, ou o dobro conforme os casos, de cada disciplina online e/ou na TV? Ou o “modelo de E@D” a decidir pelas escolas poderá alterar a carga horária do currículo? Que recursos educativos, incluindo digitais, além do manual escolar e fichas dos professores, usar que sejam validados e com investigação educacional de suporte (não basta só fazer listas intermináveis para os professores, no site do ME)? Que garantias existem, na maioria das plataformas digitais, de respeito pela proteção de dados e privacidade, nomeadamente de menores online? … Algumas respostas podem ser encontradas na investigação de vários centros de investigação em educação, como o CIDTFF ao qual pertenço ou por investigadores nesta área, como o que está em: https://www.ffms.pt/conferencias/detalhe/4455/o-pais-que-se-segueepisodio-4 ;
  • O estudo publicado e divulgado (por exemplo no Jornal Expresso: Alguns estão mais ansiosos, outros agitados mas a maioria dos pais não nota alterações no comportamento dos filhos durante a quarentena) refere alguns dados que podem ser importantes para o 3º período, caso se mantenha a situação, como tudo indica:  cerca de metade (53%) dos pais ou encarregados de educação não tem notado alterações de comportamento dos seus educandos e uma larga maioria de cerca de dois terços dos alunos (64,7%) já manifestou o desejo de regressar à escola, logo que possível. Mas sem vacina ou cura o distanciamento social vai continuar e a possibilidade de haver escola presencial será diminuta, pois com 28 a 26 alunos por turma em espaço confinados como muitas das salas de aula, especialmente do Ensino Básico, seria um risco enorme, como também outros defendem (ver: https://www.publico.pt/2020/04/06/impar/opiniao/nao-terceiro-periodo-presencial-1911117)
  • Já escrevi aqui e reitero: As mudanças na educação são lentas! Mas, neste momento, e sem querer alongar a todos os aspetos que importa ponderar sobre este assunto existe, nas partilhas de práticas realizadas e exemplos de E@D do site do ME, uma grande preocupação com o ensino, mas também pouca atenção com a qualidade das aprendizagem dos alunos. Não é só necessário pensar nos meios e atividades e estratégias de ensino a usar, mas também no papel do alunos nesse processo e nas competências a promover intencionalmente com o E@D. Só com um papel mais ativo, diversificado nas tarefas a realizar e não repetitivas dos estudantes é que se aumentam as probabilidades de aprendizagens mais ancoradas e duradouras.

Claro que defendo que este seria o momento ideal para se promover também e assumidamente o Pensamento Crítico, nomeadamente as capacidades de avaliação da credibilidade da informação com que atualmente se é confrontado, também exponencialmente. É isso que se tem defendido, como por exemplo, na última conferência / sessão que fizemos também de E@D: “Pensamento Crítico em tempo de Pandemia: Estratégias para evitar a desinformação”(https://www.ua.pt/pt/noticias/4/62923). Naturalmente que artigos e publicações sobre este tópico podem ser consultados em posts abaixo neste blogue e no menu Publicações.

100 anos depois

A propósito dos cerca de 100 anos da última grande pandemia (a então denominada gripe espanhola) aqui apresento, da excelente comparação que o jornal Público proporcionou com o título “Os ecos da gripe de 1918 não param de crescer“, um parágrafo:

Quanto ao desenvolvimento da doença, a pneumónica e a covid-19 mostram características semelhantes, porque ambas afectam as vias respiratórias, degenerarem em pneumonia e podem ser mortais, lembra no mesmo artigo o britânico Mark Honigsbaum, autor do livro The Pandemic Century: One Hundred Years of Panic, Hysteria and Hubris (2019). Os dois vírus são, no entanto, agentes patogénicos muito diferentes: “Apesar de ambos se espalharem por via respiratória através de gotículas de tosse ou de espirros, os coronavírus não se transmitem muito eficientemente como aerossóis como vemos na gripe. De facto, pensa-se que o SARS-CoV-2 não apresenta risco a distâncias maiores do que dois metros. A forma principal de transmissão parece ser o contacto social prolongado, tal como acontece nas reuniões de família.”  

Esperemos que esta que estamos a viver não tenha as 3 vagas que a anterior proporcionou no nosso país e os efeitos que se conhecem!

Munique, Agosto de 2019

“Isolamento Social”

Ao fim de quase duas semanas de total “isolamento social” presencial, embora se mantenha via síncrona com ferramentas digitais, como as que vários de nós somos “convidados” a usar, com destaque para o zoom (a propósito do que foram estes dias partilho deste sentir: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/as-nossas-vidas-em-modo-zoom-566871?n=1) devido à COVID-19 e ao “estado de emergência” decretado em Portugal (https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/documento?i=decreto-do-governo-que-regulamenta-o-estado-de-emergencia-) várias reflexões se justificam neste espaço. Entre estas destaco as que se relacionam com a presença e ausência de pensamento crítico, de que tanto precisamos nestes tempos VICA – Voláteis, Incertos, Complexos e Ambíguos – que vivemos:

  • Vários responsáveis políticos e chefias, tanto europeias e do país, como das várias instituições que ouvimos ou com quem temos de contactar, revelaram dificuldades em decidir e produzir orientações claras; isto mesmo considerando que, eventualmente, se tomaram decisões mais cedo que outros países, como está a ser hoje divulgado, por exemplo, em: https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-03-26-Covid-19-Portugal-foi-mais-rapido-a-tomar-medidasdo-que-Espanha-Italia-e-Reino-Unido. É tempo de os decisores de políticas se mostrarem dignos da confiança das pessoas. Os exemplos de algumas das nações com mais poder económico não têm sido os melhores, nem animadores!
  • É o momento para a competência ser evidenciada. Nesta crise, desde a Comissão Europeia até ao poder próximo, existe o dever de tomar decisões (ou não) competentes, fundamentadas e com base no princípio da precaução; estas podem, desde logo, comprometer o nosso futuro, como o da União Europeia.
  • A solidariedade, felizmente, tem sido visível, como por exemplo, nas maioria dos hospitais e centros de saúde e dos seus profissionais e com a dinâmica crescente e voluntária de grupos de cidadãos, como dos “vizinhos de Aveiro” (https://vizinhos-aveiro.pt/).
  • Na educação a situação foi de mudança abrupta para todos, com imensas tentativas de colmatar o distanciamento físico, várias delas eventualmente pouco sensatas. Importa aproveitar a paragem da Páscoa para refletir e quem decide seja mais concreto, sem deixar de ponderar na situação diversa das pessoas e das regiões, nomeadamente de acesso a dados móveis e rede com qualidade. As mudanças qualitativas e eficazes são lentas e também na educação, como a história nos tem evidenciado! E proliferam os que pensam e defendem que a tecnologia pode substituir um bom professor e que estes sabem ou podem aprender rapidamente a usar as ferramentas digitais… Neste momento deixo a simplicidade de um vídeo disponível no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=xLRt0mvvpBk) para se refletir sobre as mudanças. Voltarei brevemente a este assunto, espero. 
  • Mas no caso do ensino superior importa avançar com base em estudos e dados fiáveis. Um deles é o “Panorama de la educación superior en Iberoamérica” publicado pela OEI e disponível em: http://www.redindices.org/attachments/article/85/Panorama%20de%20la%20educaci%C3%B3n%20superior%20iberoamericana%20versi%C3%B3n%20Octubre%202018.pdf
  • É preciso continuar e ser exigente com a informação que se vai recebendo; por isso recomendo que se use, também para fins educacionais – o Polígrafo (https://poligrafo.sapo.pt/educacao/artigos/bem-vindos-ao-poligrafo-educacao), para ir verificando a credibilidade do que se vai vendo e ouvindo!

Será que vamos aprender com tudo isto? Tem-se escrito repetidamente que a “estupidez humana não tem limites” e, como escreve hoje Carlos F. Silva “tenho dúvidas que a humanidade aprenda com este vírus” (https://www.ua.pt/pt/noticias/13/62874), e por isso o valor da educação torna-se ainda mais relevante neste invulgar cenário que não foi previsto pela globalidade das pessoas (talvez tirando Bill Gates: https://tvi24.iol.pt/internacional/coronavirus/bill-gates-previu-a-pandemia-de-covid-19-nao-estamos-preparados). As pessoas vão mudar, desde logo porque “depois do isolamento será a grande festa” (https://expresso.pt/podcasts/a-beleza-das-pequenas-coisas/2020-03-27-Manuel-Lemos-Peixoto-Depois-do-isolamento-sera-a-grande-festa-1), mas também vão passar a, entre outras, ser mais exigentes com a tomada de decisão e responsabilização pela mesma! 

Termino com duas das frases que li de Harari (2018) do seu livro “21 lições para o século 21”: 

1. Dispomos de mais opções do que nunca, porém perdemos a capacidade de realmente prestar atenção ao que escolhemos.

2. Num mundo inundado de informações irrelevantes, clareza é poder. 

Novo artigo com acesso gratuito

Bom ano de 2020 com paz, saúde, e mais sustentabilidade com pensamento crítico.

Este novo artigo que acabamos de publicar:

Pereira, S., Rodrigues, M. J., & Vieira, R. M. (2019). Scientific literacy in the early years – practical work as a teaching and learning strategy. Early Child Development and Care, 190, (1), 64-78.  (DOI: https://doi.org/10.1080/03004430.2019.1653553)

tem cerca de 50 cópias disponíveis para quem estiver interessado sobre como iniciar o trabalho prático na educação pré-escolar com vista à leteracia científica de todos:

“Via via tandfonline.com are 50 free online copies of article to share:

https://www.tandfonline.com/eprint/GJUVAHU4RG38TICDX2YA/full?target=10.1080/03004430.2019.1653553

Boas leituras.

Acesso Gratuito

Aqui ficam links de acesso gratuito a algumas publicações que não o tinham, algumas delas anteriormente aqui apresentadas:

20 anos de seminários CTS

VII Seminário Ibero-americano CTS (VIII SIACTS) que decorrerá de 25 a 27 de junho de 2020 e terá lugar na Universidade de Valência (Espanha), constituirá um espaço para se comemorar o vigésimo aniversário desde que, em julho do ano 2000, teve lugar o primeiro na Universidade de Aveiro (Portugal). O tema geral “Vinte anos de avanços e novos desafios na Educação CTS para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)“, pretende abordar desafios urgentes para o Ensino das Ciências, impulsionando a formação de uma cidadania preparada e ativa face aos graves problemas socioambientais que se enfrentam.

Do site (https://congresos.adeituv.es/cts2020/paginas/pagina_547_6.xx.html) destacamos as as datas de: (i) Receção de resumos de trabalhos (Comunicações Orais, Comunicações em Poster, Oficinas) – De 1 de setembro a 30 de novembro de 2019; (ii) Comunicação de aceitação dos trabalhos – Até 15 de fevereiro de 2020; e (iii) Receção dos trabalhos para a revista Indagatio Didactica (opcional) – Até 15 de abril de 2020.

Artigos, capítulos e Comunicações

Aqui se partilham alguns artigos e capítulos de livros acabados de publicar e a referência a algumas comunicações em Congressos e Encontros em que se participou:

  1. Franco, A., Vieira, R. M., Riegel, F., & Crossetti, M. (2019). Steering clear from ‘lost in translation’: cross-cultural translation, adaptation, and validation of critical thinking mindset self-rating form to university students. Studies in Higher Education,  (DOI: 10.1080/03075079.2019.1647414)
  2. Tenreiro-Vieira, C., & Vieira, R. M. (2019). Promover o pensamento crítico em ciências na escolaridade básica: Propostas e desafios. Revista Latinoamericana de Estudios Educativos15(1), 36-49.  (DOI: 10.17151/rlee.2019.15.1.3) (http://200.21.104.25/latinoamericana/downloads/Latinoamericana15(1)_3.pdf)
  3. Güllich, R. & Vieira, R. M. (2019). Formação de professores de Ciências para a promoção do pensamento crítico no Brasil: Estado da Arte. Ensino de Ciências e Tecnologia em Revista (ENCITEC)(2), 93-107. (DOI: http://dx.doi.org/10.31512/encitec.v9i2.2243)
  4. Calixto, V., Kiouranis, N., & Vieira, R. M. (2019). Prática como componente curricular: Horizontes de compreensão dos formadores de professores de química.Revista Investigações em Ensino de Ciências, 24 (2), 181-199. (DOI:10.22600/1518-8795.ienci2019v24n2p181)(https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/view/1348)
  5. Vieira, R. M. (2019). Para uma educação sexual com pensamento crítico. In M. Bruns, S. Melo e J. Zerninati (Orgs.), Discursos contemporâneos acerca da sexualidade e educação sexual: A realidade nos laços da utopia (pp. 15-26). Curitiba: Editora CRV. (https://editoracrv.com.br/produtos/detalhes/33993-discursos-contemporaneos-acerca-da-sexualidade-e-educacao-sexual-bra-realidade-nos-lacos-da-utopia)
  6. Vieira, R. M., Franco, A., e Tenreiro-Vieira, C. (2019). Qual a relevância do pensamento crítico no mundo atual? In H. Sá e S. Ambrósio (Orgs.), H(à) Educação – Rubricas de 2018 (pp. 27-28). Aveiro: Editora Universidade de Aveiro.  (http://hdl.handle.net/10773/25350)
  7. Tenreiro-Vieira, C., & Vieira, R. M. (2019,). Contributos da investigação sobre pensamento crítico na educação em ciências do Ensino Básico.Comunicação apresentada no XVIII Encontro Nacional de Educação em Ciências (XVIII ENEC) & III International Seminar of Science Education (III ISSE).Porto: Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
  8. Sousa, A., & Vieira, R. M. (2019). Estratégias didáticas orientadas para o desenvolvimento do pensamento crítico na educação em ciências: visão global. Comunicação apresentada no XVIII Encontro Nacional de Educação em Ciências (XVIII ENEC) & III International Seminar of Science Education (III ISSE).Porto: Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
  9. Seabra, M., &Vieira, R. M. (2019). Formação inicial de professores de ciências: (re)construindo conceções e práticas sobre CTS. Comunicação apresentada no XVIII Encontro Nacional de Educação em Ciências (XVIII ENEC) & III International Seminar of Science Education (III ISSE) .Porto: Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Diferentes notícias de educação

Nos últimos meses têm sido publicados relatórios, comunicados e notícias na comunicação social sobre educação, quer a nível nacional, quer internacional. De entre estas destaco:

-O relatório “Avaliação das Aprendizagens dos Alunos do Ensino Secundário” da Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC), o qual aponta que 83% das escolas e colégios portugueses inflacionam as notas internas dos seus alunos. Todavia também se aponta que, em relação aos anos anteriores, as mesmas instituições reduziram os desalinhamentos entre as classificações internas e as dos exames nacionais.

-Começam a ser divulgados, a partir de várias fontes, dados sobre a falta de professores em Portugal, especialmente a Matemática, a Português, a Ciências Naturais, a Física e Química e a Geografia. Do mesmo modo, o relatório da OCDE divulgado recentemente salienta: “… os professores portugueses têm em média 49 anos, mais cinco que os 44 em média nos países da OCDE que participam no TALIS.
O nível de envelhecimento da classe docente, uma das batalhas dos sindicatos em Portugal, é notório também nas comparações internacionais: o relatório indica que quase metade dos professores portugueses (47%) tem 50 anos ou mais, contra a média de 34% da OCDE. […] Isto significa que Portugal terá que renovar um em cada dois professores ao longo da próxima década”, aponta o relatório.”

-O jornal The Guardian, do Reino Unido, noticia, a partir de dois estudos divulgados, o mal-estar vivido nas suas universidades. Dois dados se destacam: (i) os docentes estão frequentemente isolados e ansiosos, num sistema que consideram ser movido por metas financeiras; e (ii) nos últimos dois anos quase quatro em cada 10 pensaram deixar o trabalho por questões de saúde. E em Portugal, como será?

-A notícia tem sido recorrente, mas a  TVI24  voltou a salientar que para os alunos no Japão ir à escola significa participar também em atividades da rotina escolar como varrer o chão, limpar as casas de banho e servir o almoço a outros colegas e comunidade. Será uma possível solução, por exemplo para a nova área de “cidadania e desenvolvimento?

Recursos Educativos

A Universidade de Carnegie Mellon acaba de divulgar o OpenSimon World, um conjunto de ferramentas, como uma base de código, bem como recursos educativos gratuitos de apoio aos professores de vários níveis de ensino.

Trata-se, talvez, da mais ampla gama de recursos educativos em Inglês para Educadores e Professores disponibilizada de forma livre para todos. Inclui também ferramentas úteis para investigadores e designers destes recursos, incluindo da área da Tecnologia Educativa.

Esta versão inicial inclui recursos e ferramentas como:

DiscourseDB, que facilita a análise e armazenamento de dados educacionais;

RoboTutor, um aplicativo de tablet Androidque, segundo o site abaixo, permite que crianças entre os 7 e os 10 anos aprender, com alguma autonomia, a leitura, escrita e matemática; 

ChemCollective, que possui laboratórios virtuais, com atividades de aprendizagem baseadas em cenários e que inclui também tutoriais e simulações.

Todos estes recursos estão disponíveis portal: https://www.cmu.edu/simon/open-simon/