“Isolamento Social”

Ao fim de quase duas semanas de total “isolamento social” presencial, embora se mantenha via síncrona com ferramentas digitais, como as que vários de nós somos “convidados” a usar, com destaque para o zoom (a propósito do que foram estes dias partilho deste sentir: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/as-nossas-vidas-em-modo-zoom-566871?n=1) devido à COVID-19 e ao “estado de emergência” decretado em Portugal (https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/documento?i=decreto-do-governo-que-regulamenta-o-estado-de-emergencia-) várias reflexões se justificam neste espaço. Entre estas destaco as que se relacionam com a presença e ausência de pensamento crítico, de que tanto precisamos nestes tempos VICA – Voláteis, Incertos, Complexos e Ambíguos – que vivemos:

  • Vários responsáveis políticos e chefias, tanto europeias e do país, como das várias instituições que ouvimos ou com quem temos de contactar, revelaram dificuldades em decidir e produzir orientações claras; isto mesmo considerando que, eventualmente, se tomaram decisões mais cedo que outros países, como está a ser hoje divulgado, por exemplo, em: https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-03-26-Covid-19-Portugal-foi-mais-rapido-a-tomar-medidasdo-que-Espanha-Italia-e-Reino-Unido. É tempo de os decisores de políticas se mostrarem dignos da confiança das pessoas. Os exemplos de algumas das nações com mais poder económico não têm sido os melhores, nem animadores!
  • É o momento para a competência ser evidenciada. Nesta crise, desde a Comissão Europeia até ao poder próximo, existe o dever de tomar decisões (ou não) competentes, fundamentadas e com base no princípio da precaução; estas podem, desde logo, comprometer o nosso futuro, como o da União Europeia.
  • A solidariedade, felizmente, tem sido visível, como por exemplo, nas maioria dos hospitais e centros de saúde e dos seus profissionais e com a dinâmica crescente e voluntária de grupos de cidadãos, como dos “vizinhos de Aveiro” (https://vizinhos-aveiro.pt/).
  • Na educação a situação foi de mudança abrupta para todos, com imensas tentativas de colmatar o distanciamento físico, várias delas eventualmente pouco sensatas. Importa aproveitar a paragem da Páscoa para refletir e quem decide seja mais concreto, sem deixar de ponderar na situação diversa das pessoas e das regiões, nomeadamente de acesso a dados móveis e rede com qualidade. As mudanças qualitativas e eficazes são lentas e também na educação, como a história nos tem evidenciado! E proliferam os que pensam e defendem que a tecnologia pode substituir um bom professor e que estes sabem ou podem aprender rapidamente a usar as ferramentas digitais… Neste momento deixo a simplicidade de um vídeo disponível no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=xLRt0mvvpBk) para se refletir sobre as mudanças. Voltarei brevemente a este assunto, espero. 
  • Mas no caso do ensino superior importa avançar com base em estudos e dados fiáveis. Um deles é o “Panorama de la educación superior en Iberoamérica” publicado pela OEI e disponível em: http://www.redindices.org/attachments/article/85/Panorama%20de%20la%20educaci%C3%B3n%20superior%20iberoamericana%20versi%C3%B3n%20Octubre%202018.pdf
  • É preciso continuar e ser exigente com a informação que se vai recebendo; por isso recomendo que se use, também para fins educacionais – o Polígrafo (https://poligrafo.sapo.pt/educacao/artigos/bem-vindos-ao-poligrafo-educacao), para ir verificando a credibilidade do que se vai vendo e ouvindo!

Será que vamos aprender com tudo isto? Tem-se escrito repetidamente que a “estupidez humana não tem limites” e, como escreve hoje Carlos F. Silva “tenho dúvidas que a humanidade aprenda com este vírus” (https://www.ua.pt/pt/noticias/13/62874), e por isso o valor da educação torna-se ainda mais relevante neste invulgar cenário que não foi previsto pela globalidade das pessoas (talvez tirando Bill Gates: https://tvi24.iol.pt/internacional/coronavirus/bill-gates-previu-a-pandemia-de-covid-19-nao-estamos-preparados). As pessoas vão mudar, desde logo porque “depois do isolamento será a grande festa” (https://expresso.pt/podcasts/a-beleza-das-pequenas-coisas/2020-03-27-Manuel-Lemos-Peixoto-Depois-do-isolamento-sera-a-grande-festa-1), mas também vão passar a, entre outras, ser mais exigentes com a tomada de decisão e responsabilização pela mesma! 

Termino com duas das frases que li de Harari (2018) do seu livro “21 lições para o século 21”: 

1. Dispomos de mais opções do que nunca, porém perdemos a capacidade de realmente prestar atenção ao que escolhemos.

2. Num mundo inundado de informações irrelevantes, clareza é poder. 

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