O Pensamento Crítico de Saramago

Depois de ter lido a entrevista / reportagem da Revista Tabu (nº 84 de 19 de Abril) ao nosso Nobel da Literatura – José Saramago, passou um mês e as suas palavras mantêm-se e até reforçam o seu sentido. Este disse, entre outras, que “O que falta em Portugal é sentido crítico. Estamos muito aborregados. Nem somos capazes de balir. Mééé!”; e acrescenta: “O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal”.

Da sua experiência e já longa vivência destaco o que penso ser um conjunto de alertas, os quais a investigação em educação (ver algumas publicações neste blog) tem vindo a confirmar:

-Precisamos de promover o Pensamento Crítico [PC] na nossa sociedade; a escola é o contexto privilegiado para tal.

-Infelizmente os alunos e os cidadãos, em geral, não têm tido oportunidade de  estimular, manifestar e usar as suas capacidades de pensamento crítico, como avaliar a credibilidade da informação, uma vez que “vivemos no tempo da mentira universal”; temos de sair da “caverna”!

-É preciso educar todos e formar os professores para esta realidade social, na qual o PC é uma “ferramenta” crucial para a sobrevivência! O uso destas capacidades acarreta, se usadas com as respectivas disposições, uma maior cidadania; por exemplo, não podemos continuar a aceitar o uso de falácias, como a do ataque pessoal, que nas últimas semanas têm sido muito usadas (alguma vez não o foram!) na vida política Portuguesa.

3 comentários em “O Pensamento Crítico de Saramago”

  1. O que refere, tenho vindo a aprender ao longo da minha formação! De facto, os alunos têm de ser preparados para desenvolverem um pensamento crítico, sendo-lhes apresentadas situações problemáticas e solicitando uma análise e uma posição. Pela vida fora vão ser sujeitos a situações deste tipo, inesperadas, e podem assim preparar-se para a exigência que os espera. Poderão facilmente, em qualquer situação, observá-la de vários ângulos, considerar hipóteses e optar pela que consideram mais forte, considerando também os argumentos que podem ser usados para o demover. Crucial! No 1.º ciclo, penso que se pode fazê-lo através das pequenas situações que surjam no dia-a-dia, habituando as crianças a reflectir criticamente em situações cada vez mais complexas.

  2. Depois do que li, penso que, devemos gozar da nossa liberdade para darmos o melhor contributo possível para a nossa sociedade, mas este tem que ter como base o pc e ser feito de uma forma racional.Isto significa que devemos seleccionar o conhecimento necessário para podermos tomar uma decisão, sendo de salientar a importância do conhecimento ciêntifico, pois sem conhecimentos não seremos capazes de expressar posições e tomar decisões. Apesar de tudo e reforçando as palavras de Saramago, nas situações do dia-a-dia somos muitas vezes cidadãos acríticos, talvez por não darmos a importância necessária à situação em questão. Devemos por isso tomar consciência desta situação e agir. Enquanto futura professora do 1º CEB, penso que devo fomentar desde cedo o pc nas crianças, pois isso é possivel a partir de todo o Currículo do Ensino Básico. Penso que se todos agirmos em função deste objectivo, poderemos mudar mentalidades e formar cidadãos mais responsáveis e críticos.

  3. Na generalidade concordo com os vossos comentários. Saliento, a propósito, que só com a intencionalidade de o fazer e fundamentadamente é que se consegue promover o pensamento crítico dos alunos, nomeadamente do 1º CEB.
    A este nível, o que tem faltado também na educação e consequentemente na sociedade é usar (bem e de modo eficiente) sistematicamente o potencial de pensamento crítico na maioria das situações com que nos vamos deparando!

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