Refletir sobre Educação

Serve este para divulgar dois documentos recentes que merecem reflexão sobre a educação que queremos e que vamos fazendo.

O primeiro da Comissão Europeia – “Repensar a educação – Investir nas competências para melhores resultados socioeconómicos” (disponível em Português em http://ec.europa.eu/education/news/rethinking/com669_pt.pdf) e tem algumas ideias que destaco, como:

– “O investimento na educação e na formação para o desenvolvimento de competências é essencial para estimular o crescimento e a competitividade: as competências determinam a capacidade da Europa para aumentar a produtividade” (p. 2).

– “As competências transversais, tais como a  capacidade de pensar de forma crítica, de tomar a iniciativa, de resolver problemas e de trabalhar em colaboração, irão preparar as pessoas para os percursos profissionais variados e imprevisíveis de hoje” (p. 4).

– ” Dos países para os quais há dados disponíveis, só a Espanha (orçamento central), Chipre e Portugal apresentaram uma diminuição do financiamento dos regimes disponíveis de apoio às pessoas no âmbito da educação. Qualquer diminuição no investimento de hoje irá inevitavelmente ter graves consequências a médio e longo prazo para o banco de competências da Europa” (p. 14-15).

O segundo documento relaciona-se com os resultados do TIMMS a Ciências e a Matemática, o qual está na versão Portuguesa no site do governo Português (em http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-da-educacao-e-ciencia/mantenha-se-atualizado/20121211-mec-matematica-ciencias.aspx). Neste é de salientar a melhoria dos resultados nacionais, comparativamente com os de 1995, última vez que os alunos do 4º ano (e também do 8º) tinham participado. Além das razões apontadas pelo Ministério da Educação, para esta melhoria nos últimos 15 anos, acrescentaria o possível contributo do Programa de Formação Contínua de Matemática e do Programa de Formação em Ensino Experimental das Ciências para Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.

Estes destaques e outros aspetos dos documentos merecem reflexão! Por exemplo, o que fazer para inverter a situação a Ciências, do relatório acima, em que “mais de metade dos alunos portugueses não ultrapassam o nível intermédio de benchmark (melhores práticas), o segundo mais baixo em quatro níveis. Quer isso dizer que em ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos”.

Estudo do Impacte do PFEEC

A DGE do Ministério da Educação (ME) acaba de disponibilizar o Relatório do Estudo de Avaliação do Impacte do Programa de Formação em Ensino Experimental das Ciências para Professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico (PFEEC); este pode ser consultado em:

http://www.dgidc.min-edu.pt/outrosprojetos/index.php?s=directorio&pid=203#i

O trabalho foi concluído e entregue no ME-DGIDC (à data) em Dezembro de 2011. O relatório final que agora se apresenta é o resultado desse estudo, o qual foi coordenado pela Professora Isabel Martins, a quem competiu constituir e dirigir a equipa de investigação, à qual pertenci.

Tendo em conta o conhecimento científico-pedagógico proporcionado aos professores por este Programa, bem como o apetrechamento das escolas envolvidas e os recursos produzidos, o ME considerou importante levar a efeito um estudo, que permitisse avaliar o seu impacte, entre outros, nas práticas docentes e nos resultados de aprendizagens dos alunos.

Recorde-se que o PFEEC  se desenvolveu ao longo de quatro anos letivos, entre 2006 e 2010. Todos os materiais produzidos no âmbito deste Programa foram sendo disponibilizados e estão ao dispor de toda a comunidade educativa, na página da DGE, podendo ser utilizados na Formação de Professores bem como na prática letiva dos professores deste e outros níveis de ensino. Aliás, dentro em breve (depois voltarei aqui a divulgar) será publicado o guião nº 8!

Este estudo de avaliação, conduzido a nível nacional, foi desenvolvido e o relatório que se apresenta incluiu os resultados e conclusões alcançados. Pese embora a sua extensão que comentários se podem avançar?

Formação de Professores

A última revista Sísifo (disponível em  http://sisifo.fpce.ul.pt) tem um leque de artigos que sobre a formação e supervisão de professores que recomendo a todos os que se interessam ou trabalham nesta área.

De entre estes destaco o da Prof. Isabel Alarcão (referência ao fundo), por duas razões. Primeira porque nele apresenta uma re-conceptualização do conceito de supervisão “…que, na minha perspectiva, concede a esta actividade – a supervisão – uma maior abrangência, porque a estende à escola” (p. 119) a qual deve ser aprendente e reflexiva. Segunda, porque nele faz uma síntese de uma carreira de investigação e reflexão sobre esta temática, incluindo também evidências provenientes da sua prática, nomeadamente do caso de inovação curricular que acompanhou e apresenta na 2ª parte do artigo:

Alarcão, Isabel (2009). Formação e Supervisão de Professores. Uma nova abrangência. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 8, 119-128. Consultado em Maio, 2009 em: http://sisifo.fpce.ul.pt

Boas leituras!