Ser Professora é, porventura, aquilo que melhor me caracteriza enquanto pessoa.

Isabel P. Martins

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A década de setenta foi uma década de grandes mudanças: início da atividade profissional, nascimento dos meus filhos, instauração da democracia em Portugal. Em nenhuma outra década se terão registado mudanças com tão grande impacte a nível pessoal. Iniciei-me na docência ensinando química a alunos da mesma faixa etária, como assistente de Química. A representação que eu tinha de um bom professor passava por ser um conhecedor dos assuntos que apresentava, pelo que eu me preparava meticulosamente. Procurava imitar aqueles professores que mais me haviam influenciado e embora tivesse sensibilidade pelo lado dos alunos, considerava que aquilo que era verdadeiramente importante na relação pedagógica era a preparação do professor.
No final da década orientei-me para o ensino secundário e optei pela profissionalização. Foi então que compreendi que ensinar exigia formação específica para tal, formação essa que tinha de ser, necessariamente, um objecto de estudo. Tive o privilégio de ser acompanhada nesse período por uma Orientadora de exceção que me ajudou a compreender o verdadeiro sentido de um trabalho colaborativo interpares. Aprender a ser professora do ensino secundário viria a tornar-se a razão da segunda opção na minha vida profissional ligada ao ensino da Química. No início dos anos oitenta regressei ao Ensino Superior, mas com uma nova orientação, a investigação em educação, neste caso, educação em química.

Ser professora foi uma ideia de infância, desenvolvida ao longo da preparação académica e profissional, e consolidada em anos de prática reflexiva. Ser professora é, porventura, aquilo que melhor me caracteriza enquanto pessoa.

Martins, I. P. (2012). Química, ensino de química e educação em ciências – história de um percurso de vida. In A. Carvalho, A. Cachapuz e D. Gil-Pérez, O Ensino das Ciências como compromisso científico e social (pp. 159-177). São Paulo: Cortez Editora.

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