Obsolência programada

Antigamente havia quem reparasse eletrodomésticos… E os eletrodomésticos eram reparáveis… Hoje não. São desenhados para que não possam ser abertos sem se danificarem, e assim, mesmo que a reparação seja simples, no final temos apenas um monte de cacos na mesa. Quando a minha torradeira Philips avariou, simplesmente porque a alavanca de baixar o pão se soltou, e a tentei abrir foi isto que aconteceu… Mas recentemente tive uma experiência mais surreal, a chaleira que usava para aquecer água deixou de funcionar… Tentei abri-la com idêntico resultado, mas eu gosto de ver como as coisas funcionam, e como são feitas… Abri-a, e para minha surpresa o problema era simplesmente uma peça de plástico que era dobrada de cada vez que eu acionava o interruptor da chaleira. Graças à fadiga de materiais era fácil de prever que se partiria ao fim de um determinado número de utilizações… Mau desenho? Ou algo pior… Até seria fácil de reparar se fosse possível colocar a chaleira de novo numa peça só… Mas claramente ela não tinha sido desenhada para isso… Até que há dias me falaram de obsolência programada e as coisas começaram a fazer sentido… Ou deixaram de o fazer de todo, depende do ponto de vista… Mesmo aqueles de nós que se afeiçoam às coisas e cuidam delas estão condenados a ter que as substituir regularmente, as coisas não são feitas para durar mas sim para Comprar, Tirar, Comprar… Este é o título de um magnífico documentário de Cosima Dannoritzer que nos conta como as coisas são desenhadas para ter um curto tempo de vida e serem rapidamente substituídas… Chocante? Bem vindos à sociedade do desperdício… Vejam e tirem as vossas conclusões… É longo mas vale a pena… Sobretudo agora que abriu a época de caça ao consumidor natalício…

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