Discos goma-laca

A doação à Universidade de Aveiro da coleção de discos Goma-laca 78rpm de música portuguesa pelo colecionador José Moças, proprietário da editora Tradisom, foi oficializada a 17 de dezembro de 2012, aquando da cerimónia do 39º aniversário da UA.

Esta vasta coleção é constituída por cerca de 6000 discos. A maioria são gravações de fado, mas também predominam temas de música tradicional portuguesa, música para teatro de revista, monólogos, gravações referentes à implantação da República em Portugal, ópera, entre outros.

Esta riqueza patrimonial remonta ao início do século XX, indo até meados do século. Os discos mais antigos desta coleção datam de 1900. Tratam-se de quatro discos gravados no Porto, na época em que os funcionários de Émile Berliner promoviam o Gramofone na Europa. Os discos foram gravados em Portugal, nomeadamente no Porto e em Lisboa e outros no estrangeiro em cidades como Londres, Paris, Berlim, Rio de Janeiro, Nova Iorque.

As editoras discográficas presentes nestes discos remontam a finais do século XIX, início do século XX, e os seus percursos são bastantes diversos. Empresas internacionalmente famosas como a Pathé, que chegou a ser a maior fonográfica do mundo, ou a Gramophone Company, que chega aos nossos dias com o nome de EMI, são exemplos de um passado nacional riquíssimo.

Temas como o “Fado Hylario” ou “Oh Júlia”, ambas gravações de 1900, ou gravações retiradas de Revistas tais como “Ahi… Pá”, fazem parte da nossa história. Estas gravações são fruto e imagem sonora duma época, o findar do século XIX e a entrada no século XX, um período de revoluções não apenas tecnológicas, mas igualmente ideológicas e politicas; um outro exemplo é a gravação “Comício Republicano n’aldeia” de 1908, onde é visível a agitação popular desses tempos.

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