Peça do mês – janeiro 2015

 

Inst. proprietária – Universidade de Aveiro

Categoria – Cerâmica de equipamento (porcelana)

Denominação – Serviço de chá (incompleto): Bule; açucareiro; leiteira; chávena e pires.

Data – séc. XX

Fábrica – Empresa Electrocerâmica do Candal (Vila Nova de Gaia)

Dimensões – Bule – larg. 20 cm; alt. 11 cm; diam. 11 cm; Açucareiro – alt. 8 cm; larg. 14 cm.; diam. 8,5 cm; Leiteira – larg. 11 cm; alt. 6,5 cm; Chávena e pires – alt. 5,5 cm; larg. 10 cm; diam. 7 cm./ diam. 13 cm.

Peças moldadas. Decoração relevada com caneluras. Decoração com filetagem a verde alface, preto e dourado.  Caracol estilizado na pega das tampas do bule e leiteira.

Trata-se de um serviço de chá “Tête-à-tête”, que se encontra incompleto, faltando o tabuleiro, uma chávena e um pires.

Estilo Art Déco que traduz um retorno a formas mais conservadoras e características neo-barrocas (informação retirada de Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém).

Empresa Electrocerâmica do Candal 

Tudo começou através de uma pequena oficina dedicada ao fabrico de aparelhagem elétrica em porcelana, criada por Joaquim Pereira Ramos em 1912, na Rua 24 de Julho, em Lisboa.

Devido a dificuldades verificadas no fornecimento destas porcelanas, quer pela Vista Alegre, quer por outros fabricantes nacionais, Joaquim Ramos  adquiriu na Quinta das Regadas, no Candal, em Vila Nova de Gaia, uma pequena instalação cerâmica que se dedicava ao fabrico de estatuetas de terra-cota. Aqui iniciou em 1914 uma pequena unidade industrial para a produção das referidas porcelanas elétricas.

Por volta de 1916, com o intuito de expandir o negócio, o Sr. Joaquim Pereira Ramos procedeu à transferência da oficina de Lisboa para as instalações do Candal, em Vila Nova de Gaia, tendo para isso criado a Empresa Electro Cerâmica, Limitada.

Os negócios não prosperavam e em 28 de Março de 1919 foi criada a Empresa Electro Cerâmica, SARL e dissolvida a Empresa Electro-Cerâmica, Limitada.

Por volta de 1930, a empresa começou também a produzir louça doméstica e de uso corrente. Em 1945 a empresa foi comprada pelo Grupo Vista Alegre, tendo alterado o seu objeto social para “exercício da indústria e comércio de porcelanas para usos eléctricos e industriais e louças domésticas e todas as outras indústrias e comércio com ele relacionadas, e bem assim o de todos os artigos em matérias plásticas e metálicas”.

A Segunda Guerra Mundial arrastou consigo diversas empresas e negócios para a falência. Em 1945 a Empresa encontrava-se à beira da falência, não honrou os seus compromissos, e o banco executou a garantia. Após diversas negociações foi estabelecido um acordo entre a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre e a Companhia Geral do Crédito Predial Português. A Fábrica de Porcelana da Vista Alegre procedeu à reestruturação económica da Empresa Electro – Cerâmica. Em vez de ter três fábricas, todas a produzirem os mesmos produtos (Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, Empresa Electro Cerâmica, Sociedade de Porcelanas), numa lógica de escala, concentrou na Empresa Electro Cerâmica o fabrico da pequena aparelhagem elétrica.

A empresa prosperou e alcançou os mercados coloniais, mas depois da descolonização, a concorrência de grandes economias e a conclusão da eletrificação do país, a Empresa Electro Cerâmica entrou dificuldades sérias.

Em 1987 a Administração, com o objetivo de autonomizar as áreas de negócio, procede a uma cisão de cada uma das suas atividades em empresas próprias, tendo daí resultado três novas empresas, mas acabaram por ser vendidas.

A partir de 1989 a Empresa Electro Cerâmica inicia uma nova fase, procedendo à gestão do seu património imobiliário do Candal, transformando as suas instalações num Parque Empresarial.

Informação e fotos da fábrica retiradas de http://www.candalparque.pt/historia.php

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