Cândido Teles

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CÂNDIDO TELES nasceu em Ílhavo, em 1921. A sua obra é indissociável do seu trajecto e dos seus lugares.

Seu pai, Amadeu Teles, pintor na empresa Vista-Alegre, cenógrafo e decorador, e seu avô materno, José Patoilo, ceramista, escultor, criam no ambiente familiar forte motivação para a arte, no jovem Cândido Teles.

(…) O meu contacto com a arte começou desde muito cedo com o meu avô materno que era um ceramista e um barrista de mérito (…). O meu pai, Amadeu Simões Teles, nunca abandonou a pintura. Vi-o morrer com 84 anos ainda a pintar. Foi outra grande influência que tive (…).
Com os meus 18 anos, na Costa Nova, tive a felicidade de conhecer um pintor: Fausto Sampaio. Era de Anadia e vinha para a Costa Nova sobretudo pintar (…).
Comecei por o ver trabalhar e, por último, trabalhar a seu lado (…). Dava-me conselhos sobre o enquadramento, composição, retoques…Ele era um naturalista de ar livre e a minha pintura tornou-se isso, de início.”

Em 1939, C. T. fez a sua primeira exposição no Salão Arrais Ançã, na Costa Nova, salão de diversão atrás do Café Coração da Praia. Houve uma reacção de interesse pela obra exposta.

Depois, a vida profissional do Artista proporcionou-lhe ambientes distintos: Açores, Madeira, Angola, Alentejo, Algarve, Moçambique, entre outros. Em todos sofreu a influência dos meios.

Passa por um período africano, influenciado pela sua estadia em África. Em 1951 parte para Angola e é aí colocado no Huambo, zona de planalto. Saudoso da água e céus de Aveiro, muda profundamente a sua paleta. É confrontado com as cores da savana, de capinzais, espinheiras e mulembas, bem com a paisagem da época das chuvas e a época das secas. Escurece a paleta por vezes, mas sempre com um halo de esperança envolvendo a figuração e o horizonte longínquo, ou enche-a de cor e luminosidade, quando pinta as praias do Norte. Fica enfeitiçado com a ilha de Moçambique, confluência de culturas, que é tema para muitos dos seus quadros da Costa do Índico, onde mergulha os olhos extasiados nos verdes, azuis e roxos das suas águas e corais. Segue o Período Alentejano que durará 6 anos. Integra-se nos meios urbanos de Évora, Monsaraz, Évora Monte, Estremoz, enamorado dos seus brancos, das suas arcadas, beirais, calçadas e varandas. Finalmente regressa para Ílhavo em 1977 e monta, no lugar do Arenal a sua casa-atelier. (…) Depois é o regresso a Ílhavo (em 1977) e a reintegração que estou a fazer há mais de dez anos, empenhado em ir buscar as coisas que estão a desaparecer: a arte da xávega, os temas da pesca na ria, da faina do moliço que procuro reviver…Agora dedico-me mais à figuração, fui buscar as figuras, os barcos que ainda existem e evoquei o sul da Costa Nova. Não voltei a pintar ao natural. Adquiri uma série de conceitos novos que depois aplico aos temas que tratei no passado (…).

Virá a falecer a 31 de Outubro de 1999

Retirado de: http://marintimidades.blogspot.pt/2008/07/exposio-joo-carlos-e-cndido-teles-parte_09.html;

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